terça-feira, 3 de dezembro de 2013

o que tu queres, sei eu.

As mulheres sabem muitas coisas, logo, sabem demais. Sabem claramente se gostam delas, podem é fingir despercebimento se percebem a ausência e pretendem reaproximação, "poder sempre ser que". Sabem o que querem e o que não querem, e sabem-no ainda em relação ao sexo oposto, muito menos expedito nessas matérias de saberes externos ligados ao género. Sabem o que ler e o que escutar, o que vestir ou despir para agradar, como falar, o que dizer, como se movimentar, por onde andar. Conseguem fingir que não ligam a nada disto, até porque a naturalidade é um charme e tudo quanto caiba nela é uma prova de graça irrefutável, muito mais valiosa do que qualquer outro tipo de construção alicerçada nos looks aplaudidos por revistas cor de roda ( também eles poderosíssimos, claro). As mulheres também sabem fingir que determinadas coisas não as sacodem, só para ficarem atentas às reacções do sexo oposto, quando na verdade estão importadíssimas com  o excesso de simpatia que a cara metade dispensa à vizinha do primeiro frente. Ninguém precisa de saber isso, são informações confidenciais. Percebem ainda quando eles, cansados, só querem sofás, bola e zapping, porque é nesse exacto momento que têm de provar a importância delas na sua vida. Óbvio que não é urgente o detergente esquecido no supermercado, mas a verdade verdadinha é que ele faria um favor imenso se o fosse comprar, porque só assim ela passará a semana descansada e sem roupas acumuladas no cestinho de verga arrumado atrás da porta da casa de banho, que lhe salta para a vista todas as manhãs, na hora do duche. Uma maçada (esta ligeira manipulação também é arte nossa, caso não saibam). É claro que também podem insinuar vinho, e como que não quer a coisa juntar o Skip à lista, tudo depende da disposição.

Conhecemo-nos muito bem umas às outras, e aí começa a verdadeira questão dos excessos das sabedorias. Sabemos os intentos disfarçados a léguas de distância, conhecemos o cheiro, as sílabas, as interjeições e as vontades, os jogos de cintura e toda a capacidade de ardil capaz de nascer num corpo feminino direccionado. Só uma verdadeira mulher pode ler outra, até porque só a semelhança nos permite este profundo conhecimento, quase indizível. Talvez por isso, nunca arriscamos decifrar uma por completo. 

( Muito embora às vezes dê mesmo vontade de fazê-lo, dizendo: Anda cá, comparsa, cá mais cinco!! O que tu queres, sei eu...)

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