domingo, 13 de março de 2016

sossego

Quando existem avós, os pais deveriam ser "obrigados" a incentivar a relação destes com os netos. Não sei se consigo imaginar o que eu seria hoje sem ter passado por eles, e há marcos que ainda me seguram ao colo. O colo, ao contrário do que muitos julgam, pode ser muita coisa para além de uns braços e umas pernas, onde nos sentamos quando temos medo, quando lanchamos ou quando ouvimos uma história. Um colo pode ser tudo o que se guarda no peito, enquanto o tempo passa e nos leva as pessoas que afinal permanecem para todo o sempre na nossa memória. Tive os melhores avós do mundo, e duas delas, já mortas, faziam anos neste mês. Delas guardo a máquina da qual vos falei ainda agora, guardo tapetes de Arraiolos, guardo receitas de doces mas aguardo, acima de tudo, todo o amor que elas tiveram para me dar, com a paciência que só os anos agiganta dentro da pele, das mãos, dos cabelos e dos olhos. Há coisas na natureza quase perfeitas. Os tempos em que existimos, por exemplo, é uma delas. Somos filhos primeiro, pais depois, avós na hora em que a perfeição do amor ganha corpo e espírito. Com dedicação, calma e tempo. E por isso constroem-se rostos que nunca mais se apagam, escritos pelo tempo que passa sem parar. Uma pressa que só a memória guarda em sossego.

1 comentário:

  1. Os meus avós paternos fariam os mês passados com 2 dias de intervalo, curiosamente no mesmo mês que eu. Tive avós paternos perfeitos, daquela comida que já não comerei, daqueles afagos na alma que eu sabia que ia ter, hoje, tenho outros, mas quando vou "a casa", tenho o "colo" do pai e madrasta que sabe tão bem... Um beijinho. Gosto de a ler assim, tão parecida com , digamos, as minhas memórias.

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