terça-feira, 30 de abril de 2013

exames nacionais

Os exames do primeiro ciclo do ensino básico são já na próxima semana. Neles miúdos de dez anos têm de prestar provas de tamanho considerável, em alguns casos extra escola de frequência, sob vigilância de desconhecidos e em situação de rigor considerável. Não me venho pronunciar propriamente contra ou a favor, venho apenas considerar a pertinência dos mesmos. Os objectivos são por certo aferir resultados a nível nacional, com vista a uma padronização de objectivos e competências nos mais diversos domínios. Fazem-me lembrar os antigos exames da quarta classe que assustavam quem sabia trautear rios e províncias, linhas de comboio e serras, oceanos e capitais. Hoje o ministério concentra energias redobradas em organizações que vêm atestar um ciclo de ensino básico dado por professores de competência, numa seriação de números de um a cinco, auferidos numa manhã que pode ser clara ou escura, depende, também de um conjunto de circunstâncias, demasiadas, para cabeças pequeninas. Muitas gerem ainda a ânsia parental, coisa que convenhamos, não deveria ser para aqui chamada. Gerem também a ânsia do colega do lado e a ânsia do melhor amigo, para além da própria, claro, quanto mais não seja a inerente ao desempenho na situação concreta, também de logística considerável. O intervalo serve para o lanche, o telemóvel se o houver fica na caixa destinada ao efeito, se existir uma bexiga chata, deverá haver acompanhamento ao WC, o relógio não pode apitar e a caneta tem de ser preta. O cabeçalho deverá ser preenchido devidamente e com auxílio do cartão de cidadão, em mais sítio nenhum da prova deverá haver identificação. As folhas de rascunho, muito embora específicas, não são consideradas para cotação, não convém portanto esquecer a transposição de toda e qualquer informação importante. Se houver enganos há um risco por cima, nada de correctores.
Tudo isto consegue parecer-me normal e exagerado, exactamente ao mesmo tempo. Normal se tivermos em conta a verdadeira atitude que deve acompanhar as provas, generalizada a todos os intervenientes, ou seja, uma concertação de notas, nada mais do que isso, onde os alunos mostram tranquilamente o que aprenderam. Exagerado porque esta realidade não é abrangente e as condicionantes são mais do que muitas, o que transforma a prestação de provas numa pressão desnecessária e excessiva para algumas crianças, que terminam uma escolaridade minimamente protegida e tranquila. Mas mesmo encarando a possível atitude de normalidade nos exames por parte de todos os envolvidos, assumo, continuo a questionar a pertinência de reavaliar crianças pequenas já avaliadas num ciclo básico, onde as capacidades e competências são postas à prova diariamente e em diversos domínios, de  forma natural, e onde o ingresso ao nível seguinte é obrigatório, necessário e evolutivo.  

segunda-feira, 29 de abril de 2013

será que os anos fazem isto?




Não sei onde foi que li, mas li e lembro-me perfeitamente. Aquela que hoje é considerada a mulher mais bela do mundo, Gwyneth Paltrow, que na altura namorava com Brad Pitt, foi apelidada por uma revista feminina da época, de bastante feinha. Nunca concordei com o comentário depreciativo, que presentemente deu lugar a pódio, bem interessante, por sinal. Recordo perfeitamente a actriz, com tez branca e aparência delicada. Feinha seria exagero, mulher mais bela do mundo eventualmente também o será, só que desta feita a designação vale a pena. Subsistem-me por ora duas questões pertinentes. Terão essencialmente mudado os padrões de beleza, desde 95 a esta parte? Ou serão só mesmo os anos, que também fazem disto?  Gosto, gosto muito desta última. Hipótese, e fotografia:




domingo, 28 de abril de 2013

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(e diz que hoje se deve sorrir)

grande irmão

Parece-me continuar importante para o País pessoas que vivem em regime de clausura, dentro de uma casa observada. O pressuposto tem interesse e origem determinada no grande irmão. Há um único envolvido no processo, de fora para dentro. De dentro para fora há gente que dá a conhecer podres e predicados, emergidos num ambiente de convívio com estranhos que num ápice se tornam amigos do peito, ou não sejam os únicos com os quais se pode contactar. Sobrevivência, nem mais. Ensaiam-se no inicio poses e discursos, como em qualquer inicio do que quer que seja, realidades essas que morrem de cansaço em pouco tempo. Admitamos, ninguém finge 24 horas por dia, há que entender. Uns instantes e são eles mesmos, sem pose e artimanha, claros como água. O que me faz pensar são outras questões. A sujeição de quem se sujeita, por exemplo. Voos altos (?) se impõem, mas a exigência é grande. A questão da sanidade mental após o tempo de retiro, outra. Manter-se-á? Haveria antes? A haver, teve um descaminho momentâneo que permitiu a excentricidade? E a partilha declarada do que sempre se resguardou? Muito ou pouco, não interessa. Há porém uma coisa que não me suscita dúvida alguma. As vidas dos outros continuam do melhor que há no mundo. Causam curiosidade, despeito, inveja, desprezo ou simpatia. Preenchem, distraem, relativizam, empolgam, indignam, sacodem e irritam, mas fazem-nos sempre qualquer coisa. E qualquer coisa, convenhamos, é sempre melhor do que coisa nenhuma. 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

liberdade

Não comemorei coisa alguma, não estive para isso. O dia, ainda assim, teve coisas. Há sempre coisas dentro dos dias, os dias são feitos para tal. Uma tomada de consciência da maioridade da afilhada revolucionária, da qual eu lembro perfeitamente o nascimento. O tempo voa e eu voo atrás, domínios do absoluto, há que aceitar. Os legos, esses, estavam um encanto. A Miss Piggy encavalitada numa mota e a dizer adeus, também. De lado encontram-se as construções do meu tempo. Peças soltas e de cores variadas, portas e janelas de portada, telhados e pouco mais. Nada de legos temáticos que hoje me chegam a casa com desenhos construídos à medida de um papel. E o sonho e a imaginação, caramba, moram onde?  Mais de noite, e muito, muito longe, escolhem o que não podem escolher. Quase que me acenam um cravo, que se calhar não cabe nas mãos, ou então é só branco raiado. O meu filho pergunta-me coisas sobre liberdade e sobre a revolução. - A partir de 1974 fomos livre, ou não? Tu já nasceste livre, mãe. - Sim filho, nasci. Todos, invariavelmente, gostamos de pensar que o somos, é esta uma das poucas formas de liberdade que conheço, ainda assim limitada. Será que conheço pouco? Sim sim, tenho um enorme apreço pelo caminho percorrido, só não consigo abstrair-me do todo, do dentro e do fora, da abrangência. Não sei sequer se o termo em estado mais puro se amolda connosco, mas quase arrisco dizer que não. Viva a liberdade. Viva!!

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