quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Mulheres

A figura feminina há muito que deveria ser mais respeitada. Ninguém escolhe a forma que traz ao mundo, sendo que a mesma poderá ser sempre mais retocada, todas temos aspectos a melhorar, mesmo as abençoadas por Deus. Actualmente, e no seguimento dos implantes perigosos, assisto a uma onda de críticas generalizada, proferidas em tom de indignação e reparo, às mulheres que se apetrecham de tais artefactos. Não simpatizo com essas críticas. Pela minha parte, considero as cirurgias estéticas como uma coisa a não realizar, a não ser em casos realmente necessários, mas isso tem a ver com princípios meus, opiniões pessoais, e respeito perfeitamente outras opções. É importante não esquecer, quando se levantam as vozes que condenam, que na maioria das situações quem se sujeita a este tipo de intervenção, fá-lo com o intuito de agradar a uma sociedade demasiado exigente no quer toca ao culto do corpo. Aqui neste mundo, não podemos ser gordas, é chato isso. Não podemos ceder à lei da gravidade que ataca tudo quanto mexe, mas da qual somos quase obrigadas a escapar. Também não podemos ser demasiado magras, porque ao senão lembramos estados de anorexia e doença, seremos constituídas só por ossos, e não temos onde nos agarrem. E isso não tem graça nenhuma, especialmente em determinadas situações. As rugas que surgem com o tempo, a vida, o choro e o riso, também não são bem vindas, sendo sempre mais apetecível uma pele mais viçosa, mais elástica, menos engelhada. E por ai fora.
Não falando aqui de alguns exageros cometidos por questões distintas destas, julgo que a maioria se comete assim, pela dificuldade de aceitar um corpo que nasceu imperfeito, por parte de uma sociedade que gosta muito da perfeição. Mesmo que ela seja construída, falsa, manipulada, enfim, o que quiserem chamar. A vida neste campo é difícil para nós mulheres, que também não nos ajudamos nada umas às outras. Mais para algumas, por motivos diversos. E alguns homens, é pá perdoem-me lá, mas por vezes também não colaboram nadinha. Ok, é de vossa natureza. Tal como é da nossa o gostarmos de vos agradar (a maior fraqueza que todas temos no corpo).

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Hum, que delícia.
(E para além disso posso postar imagens outra vez)

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Engoli seis bolachas de água e sal que não me valeram por um biscoito de manteiga. Isto deve ser a prova provada de que quantidade não é qualidade, e ainda de que por vezes, mais vale pouco mas bom. Por isso agora vou comer a de manteiga. E isto é a prova provada de que quanto mais nos enganamos a nós próprios, mais erros cometemos.

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Não consigo encontrar em mim tamanho suficiente para viver uma dor de perder um filho por desaparecimento. Não consigo de resto conceber a perca de forma alguma, sinto-me pequena, enquanto o assunto trata sentires do mais profundo que conseguimos experimentar. Os filhos são sempre, e em situações normais, muito mais do que nós mesmos. Transformam-se na nossa razão, na nossa existência, na nossa ambição, no nosso sentido. Estou cansada de ler sobre o Rui Pedro, e sobre uma mãe que não encontra na vida mais razão alguma do que procurá-lo a ele, ou a razão do seu desaparecimento. São as razões que hoje possui. E estou cansada não dela, ou de lhe saber a dor, mas sim do seu sentimento sofrido, que nunca mais tem fim, e deveria. Penso nisto com alguma frequência, até porque o assunto continua na ordem do dia. Será por certo necessária alguma análise interna, para nos inteirarmos mais profundamente no que será esta ausência. Muitos especialistas já se debruçaram sobre estes factos, e já se inquiriram sobre o que será mais difícil, se uma dor definitiva de um fim fatal, se um desaparecimento no mundo, que pode ser um mundo grande ou ali do lado, um mundo bom ou um mundo mau, ainda que se possa manter a esperança. Há tanto mundo por ai. E o coração de uma mãe é sempre um coração aflito quando trata os filhos, um coração pessimista capaz de construir por dentro horrores, dúvidas, suposições. Somos tão fáceis de nos deixar embalar pelo mal. É uma realidade, uma fraqueza nossa. Todos nós experimentamos, em diversas circunstâncias, a preocupação de uma espera demorada, a angústia de um atraso infundado, que são na maioria das vezes nadas, obras do acaso, mas que são suficientes para nos amargurar os momentos que antecedem a chegada de quem esperamos. Ora agora então transportemos isto a uma vida, e a uma ausência de fundamento ou justificação, e pior, a uma duvida do que se possa ter passado com o nosso bem mais precioso. Não arrisco dizer que uma é melhor do que a outra, pois não existem coisas boas na desgraça. Ainda assim, um luto implica um fim e uma organização interna, um desaparecimento uma angústia eterna. As duas uma mágoa sem fim.

( E também era chegada a hora de deixarem de expor os rostos de sofrimento que o caso acarta, em revistas de rigor duvidoso, utilizadas pela mãe com o único objectivo de buscar ajuda, e que assim vendem um bocadinho mais.)

Queijo

A Maria João Abreu vem ao DN, e quem sabe também a mais sítios, apelar ao consumo de queijo nacional. Com o devido respeito que tenho pela senhora enquanto actriz, devo dizer que em matéria de queijos não estará por certo melhor documentada para deles falar, do que a minha própria pessoa, que se lambuza só com o cheiro. Bem sei que ninguém me conhece, e não traria qualquer mais valia aos lacticínios portugueses o meu depoimento, mas que sou documentada, sou. Arrisco dizer que nem haverá no mundo acepipe melhor do que este, seja ele confeccionado com leite de cabra, de vaca, de ovelha, ou uma completa mixórdia, daquelas que encontramos nas velhas praças, embrulhados em panos de lençol velho, muito amarelado, dentro de uma alguidar de barro envernizado. Existe uma praça que tem uns deliciosos, situada na praia da Nazaré, onde vou, invariavelmente, há trinta e cinco anos, sempre que é verão. Trinta e cinco certos poderá nem ser o caso, tendo em conta que não vos posso garantir com cem por cento de certezas, que palmilhei o dito sítio enquanto os meus pés ainda não tinham vontade própria, mas como provenho de uma família tradicional, com gostos tradicionais, e com interesse em praças de géneros viçosos, é bem provável que tenha começado cedo a inteirar-me dos cheiros destes locais, onde a fruta doce, o peixe intenso, as cenouras frescas e o queijo azedado, se misturam num sítio onde as mulheres usam avental e bigode. É uma questão de moda por lá. E dizia eu que existem naquele local uns deliciosos e artesanais, espalmados e redondos, uma mistura de ovelha e cabra, o que lhes dá um paladar característico muito forte e saboroso. Não me importa muito que me digam que as ditas senhoras os secam ao ar e à bicharada, não sou nada esquisita nestas coisas que me sabem sempre bem e nunca me causaram qualquer tipo de indigestão. Depois temos outros, mais populares, vindos das serras, de Serpa, de Castelo Branco, uns com colorau, outros amanteigados, que escorrem da faca e do pão, uns secos e muito mal cheirosos. Podemos ainda ir aos Açores e trincar um qualquer flamengo saloio, todos muito bons por sinal. Os frescos, ainda que mais simples, também me dão um gozo danado, desde o tradicional, ao Requeijão de Seia, adoçado com uma colher de doce, ou ao invés, salpicado com pimenta. Olhem enfim, há para todos os gostos e não saí do Pais, que a ter saído, poderia continuar a descrever a minha afeição sem limites. Mas agora que falo nisso, se calhar não era mau deixar aqui um cheirinho a Chévre, Francês. Cheira bem, a sério que sim.

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