domingo, 1 de janeiro de 2012

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Gostaria muito de começar o ano empoleirada num sapato de salto alto. O meu blog anda avesso, não em deixa colocá-lo aqui. Que trabalhe a vossa imaginação. É muito alto, elegantíssimo e cor de rosa. Não sou muito dada a azuis.

Desafios

Era manhã. Enquanto a cidade ainda dormia, sonolenta e cansada, ela acordou. Dos restos na noite guardou uns olhos maquilhados, demasiado cansados para se olharem ao espelho. Do ano transacto, guardou um conjunto de vivências gastas, translúcidas, nada concretas. Da janela entra-lhe uma névoa ténue e fria. Deveria gastar tempo em analisar o que foi, planear o que vem, mas prefere o silêncio da alma. A maldita teima acordar, pincelar-lhe o consciente de coisas difíceis, motes dolorosos, realidades corcundas, quase a roçar o chão. Faz força e consegue empurrar tudo aquilo. Não gosta de avaliações. Tenta então concentrar-se nos planos, que ainda que difíceis de pensar, deixam-na envolta numa aura de esperança. A esperança é talvez uma das grandezas do Homem. Envolve-o, impulsiona-o, transporta-o. Pode chegar a ser incómoda, se mal interpretada, mas cabe ao próprio não deixar entrar a ilusão. Ninguém no mundo está isento de esperança. Já a ilusão, e a deixar-mos que entre, pode manter-nos imersos em enganos internos, terrenos muito alagadiços. A dificuldade afigura-se séria se deixarmos de perceber a fraca linha que as distingue. Uma linha fina e agitada que parece saltitar de um lado para o outro, difícil de acompanhar. Pudéssemos nós agarra-la, e acredito que não mais a largaríamos. Mas é esguia, fugidia, quase desvanecida. Um desafio.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Fim de ano

Um fim implica sempre um inicio. Não existem fins por si só, na verdadeira acepção da palavra, de um fim de todo, um fim final. Poderemos até referenciar aqui a morte, mas ainda assim, e a agirmos em prudência, não deveremos fazê-lo, que até hoje ainda não se descobriu verdadeiramente o que existe para além dela. Há quem arrisque a eternidade, agarrado a uma fé maior, poderosa, que permite uma existência para lá do corpo. Existe ainda quem considere a alma possível apenas enquanto o físico existir, e que acredite que uma vez este terminado, terminado tudo o resto, deixando a magnitude da essência entregue a uma existência terrena, fraca e mortal. Crendo numa ou crendo em outra, mais não cremos do que em suposições, que a verdade verdadinha é que o desconhecido faz parte da vida, representando portanto quantidade razoável de coisas por perceber, para as quais não me parece nada que caminhemos. Estamos longe, somos assim. E partindo então deste meu raciocínio, volto a dizer que o final de uma qualquer coisa implica necessariamente o início de outra, pelo que o que vos quero desejar é que os inícios de hoje em diante, sejam os inícios que ambicionam. Voltando também aqui para vós, o que desejo sempre para mim mesma, e que é o desejo real de que isso aconteça a cada dia e para sempre, e não apenas amanhã. Digo-vos hoje porque fica bem dizê-lo hoje, faz parte dos votos, da educação.
Não me importam muito as vozes que dizem que estes dias não são importantes, e que são dias iguais aos outros, que existem exageros de consumismo, e afinidades. Para mim, a existência de datas que marcam pode não ser primordial, mas é importante. Como pretexto e reunião de esforços para cumprir o que por vezes ao longo do ano deixamos para trás, por indisponibilidade, por cansaço. Sim, às vezes ando cansada. Sim, por vezes esqueço arranjar tempos para todos os que gosto, horas de visitas, presença efectiva. Faço o que posso, mas por vezes o que posso não chega. Nestas alturas, tento reunir o meu tempo. Esquecer-me de mim, e dar-me um pouco mais. Se é porque é Natal e Fim de ano? Também. Mas é também porque sou gente e nem sempre consigo dar o que quero. E os pretextos também não são assim tão maus, se forem sinceros e vindos da vontade.
Um bom ano a todos. E não comam passas se não gostarem delas. Têm caroços que se metem nos dentes, e não resolvem nada do que vocês não conseguirem resolver sozinhos.

Irmãs

Nasceu há uns anos, e mudou muito a minha vida. Se existe quem deseje um filho, eu desejava muito, aos nove anos de idade, uma irmã. Irmão é aquela pessoa que nós temos e que é nossa. Pode ser dela, mas também é nossa, faz parte de nós. É como se o nosso coração existisse dividido em dois, uma vez que as nossas dores e as nossas alegrias surgem de mãos dadas e sempre muito partilhadas. A partir daquele dia a minha vida foi muito mais feliz do que teria sido sem a sua existência. Hoje, passados uns anos, cresceu muito e é uma das pessoas que eu mais admiro. E não é só por ser minha irmã, é também por ela ser quem ela é. Tem um coração do tamanho do mundo, e as pessoas de coração grande merecem um mundo bom para elas.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

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Há muito que tinha enjoado aletria doce. Agora, como que por magia, desenjoei. Se calhar tinha antes seguido o caminho inverso. E tinha enjoado farófias, por exemplo. Ou então Bolo Rei. Ou então qualquer outra coisa.

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