sábado, 3 de outubro de 2009

Calmamente...

Depois tenho a dizer que pelas mãos da http://sandrablogwithaview.blogspot.com/, descubro o http://murcon.blogspot.com/, do meu querido Júlio Machado Vaz. Que escreve e fala de sexo como ninguém. Vou segui-lo, como é óbvio. Ultimamente, também se empestou de espírito eleitoral. Como se não soubesse falar de algo mais interessante... Estou sentadinha calmamente à espera.

Das autárquicas...

O calor entope-me a alma. Saio, pela manha, e encontro um dia quente, apesar de cinzento. Na estrada, dezenas de ciclistas envergam umas camisolas verdes, ou azuis, nem sei bem, e pedalam efusivamente atrás de uma carrinha de campanha eleitoral. O nosso actual Presidente do Concelho também vai no grupo. Com o seu natural ar de sonso. A música toca alto, e mistura-se com a de uma outra carrinha, que apregoa uma espécie de pessoas independentes que resolveram reunir-se em prol da terra, dizem elas. Tento acreditar que sim Senhor, mas estes ajuntamentos já me soam na maioria das vezes, a tentativas de evolução em prol do bolso. Digo eu. Ando quase anti-política. Se nas Legislativas andei indecisa, acabando por dar o meu voto ao meu partido de eleição, não por favoritismo do candidato, mas por falta de oportunidades, agora, nas Autárquicas, fico arrepiada.
De um lado, o Guru, que já fez o que tinha a fazer e não fez muito. Do outro, uma Candidata ambiciosa, que se rodeia de gente assim assim, para não dizer escumalha, salvando as devidas exepções. No meio, uns e outros, que encontro por aí com ar de quem não sabe dirigir uma casa, quanto mais um Concelho. Lá está ela como de costume, dirão vocês, fiéis seguidores, habituados que estão à minha rebelião constante. Não caros leitores, nada disso. Estou descontente. Indecisa. Não sou má de todo a escolher quando tenho por onde. A falta de oportunidades baratina-me as ideias.
E depois, não sei se é da idade, sim, porque já conto uns quantos, mas a paciência para manifestações deste carácter, com camisolas de letras garrafais, todas com o mesmo tipo de dizeres, comícios com discursos plagiados, dos tais que se querem ouvir, e gente aos gritos a acenar bandeiras, já não me assiste. Soa-me tudo a feira e a Paulo Portas. Ainda bem que as eleições são já para a semana, e que o próximo Sábado já é de reflexão. Na prática significa mais uma semana, de peixeirada, carrinhas de música rançosa, e gente que se acha o máximo a distribuir cartazes, panfletos e outras coisas de interesse supremo não sei muito bem para quem. Mas eu aguento, eu aguento...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Agradecia...

Gosto de discursos convictos. Sou convicta por natureza. Quando ajo, falo, caminho, e afins. No que faço ponho convicção, empenho. Se há coisa que desdenho são discursos mornos, que surgem só porque sim. Daqueles de circunstância, a lembrar política, onde o que se profere é o que o outro quer ouvir, sem a mínima intenção de dar seguimento ao que se disse. E as palavras saem assim, sem alma... Eu distingo-os a léguas. Se puderem, evitem-nos. Senão sempre, comigo. É que tentarem atirar areia nos meus olhos, dá-me a sensação de que me chamam nomes, que de todo não me assentam. Já agora, se os puderem evitar sempre... O Mundo agradece.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Uma das...

Encontro no caminho pessoas loucas. Sem eira nem beira, perdidas num mundo inóspito e hostil. A loucura, e não obstante trabalhar amiúde, directamente com ela, assusta-me. Nada se compara aos olhos assustados de um esquizofrénico, que perdido na sua imensidão, não sabe onde se arrumar. Todos já conhecem a minha necessidade de ordem. De coerência, de método. Tento, embora em vão, estabelecer uma ordem interna que os possa ajudar, encaminhar, encontrar um caminho. Nem todos os terapeutas farão esta minha escolha, mas eu, só assim me oriento. Sou tipo esponja, que absorvo as amarguras alheias, a fim de as digerir, e voltar a deitar para fora. Só entrando nas mentes consigo esse trabalho. Revivendo, experimentando. Sentimentos, angústias, depressões. Com determinadas patologias não sou capaz. São demasiado cruéis, vazias e cheias ao mesmo tempo. Onde o tudo e o nada permanecem de mãos dadas num namoro intenso e fugaz. Disserto teorias, procuro soluções, mas o desconforto continua acesso e intenso, parecendo que a cada minuto se intensifica. Se tenho lutas eternas, compreender mentes atafulhadas é uma delas. Ajuda-las na busca de ordem. Na busca de paz. Não me consigo imaginar sem ela. E se calhar até aí, não consigo encaminhar quem a não tem.

Do crescimento

Os olhitos dele raiados de lágrimas não deixam enganar. Está triste, magoado, não entende porquê. O meu filho, o meu querido filho, está a crescer. E consequentemente a perceber que nem todos os meninos têm os princípios bem definidos. Na sua inocência de criança não entende, obviamente a crueldade do mundo.
-Mãe, posso levar os meus Gormitti para a Escola?
- Podes, digo. Mas cuidado. Não é como com a A e a M que guardavam as tuas coisas na outra escolinha. Alguém pode mexer, ou acontecer qualquer coisa. Existem muitos meninos ali, remato.
- Não mãe, diz-me num descanso inocente. Não acontece nada.

Ontem, na sua chegada, e antes de conseguir saber como a escola correu, ou o que aprendeu, diz-me entre dentes que lhe tinham roubado quase todos os bonecos que tanto adora.

Ouvi com muita atenção a sua mágoa. Mas porquê mãe? Eu emprestava, eu até troquei alguns. Não percebo como alguém foi capaz de mos roubar.

Eu, já percebo. Na idade dele também decerto não percebia. Ele não viu, mas eu chorei por dentro. Não pelos bonecos, obviamente, mas pela desilusão que vi na sua carita de menino, que afaguei o melhor que pude, enquanto tentava explicar-lhe o que é tão difícil de explicar.

Eu sei, eu sei que isto é crescer. E crescer dói. Ainda mais num mundo de cão.

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