quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Inerências profissionais

Fico sempre muito irritada, quando mulheres me entram pelo consultório a dentro, a dizer que fazem sexo por dever ao marido. Há coisas devidas, é um facto. A água, a luz, a renda, os impostos. E depois existem as outras que fazemos se nos apetece, e se não nos apetece não fazemos. Não devemos, pronto. Queremos, ou não. A parte de me custar a entender, por que é que esta gente não tem este tipo de apetite, não vem ao caso. Tal como não vem ao caso a minha curiosidade em saber que raio de sexo é aquele, onde 50 por cento da envolvência olha para o tecto e conta as melgas, enquanto espera que acabe depressa.

O sonho

Acordou num sitio estranho, onde Deus parecia nunca ter estado. Como se possível fosse, existirem recantos do mundo que lhe escapem, ora não fosse ele o criador de toda a imensidão, e o responsável pelo que se passa em cada sítio, mais ou menos obscuro. Mesmo assim se lhe perguntassem, e no benefício da dúvida, diria com quase certeza, que aquele naco de mundo lhe tinha escapado, provavelmente juntamente a outros pedaços, que muitos existem pobres de meter dó, desgraçados e mal amados, que detém cabimento em tal circunstância. Era medonha a desgraça emanada daquela casa, habitada por uma tristeza afundada numa esperança vã, eterna, de nunca preenchida. Sua dona esperava sempre a mesma coisa, coisa essa que nunca lhe chegou pela porta da entrada, ou sequer pela janela, propositadamente deixada aberta todos os dias a fio, fizesse chuva ou fizesse sol, não fosse perder a oportunidade do encontro por temor às intempéries, nunca se perdoaria por isso. Mas ainda que assim fizesse, e ainda que a fresta deixada fosse significativa, e o ouvido atento à porta, por demais perspicaz, nunca se chegou perto nada do que tanto ambicionava, ano após ano, o que a deixou mortiça e insana. Lá dentro da casa, e mais precisamente lá dentro do corpo, criou um mundo só para si, ornamentado de cores cinzentas e apagadas, onde se movimentava descomposta, num intenso deambular, à espera. De quando em vez parava, olhava pela janela envolta em cortinas, e espreitava um mundo estranho lá fora, cheio de cores e sorrisos, ao qual não pertencia. Houveram dias em que quiseram leva-la, em que da soleira da porta, lhe surgia um apelo, distinto do que queria, mas ainda assim, um apelo. Que recusava delicadamente, sempre envolta na mais pura das educações, não fossem julga-la amarga, quando ela era doce. Não era aquilo o que queria.

Saiu de mansinho, e jurou voltar. Acordou, que afinal, o despertar anterior tinha sido sonhado. Relembrou, que não gosta de acordar a meio de um sonho. E ainda, que existem sonhos, que por completos que sejam, nunca vão chegar ao fim.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Vai-se indo

Por cá vai-se indo. Ausente, que há alturas assim. Mas, e para quem tal coisa pudesse julgar, não abandonei o estaminé. Ele descansa, que bem precisa, e eu acompanho. Mas vou vindo, prometo. A propósito, ali em baixo, e para quem não vê, está um pão com azeitonas. Daqui, vê-se tão bem que até enerva.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

...

Ofereceram-me isto... Até por aqui, já me sabem as fragilidades...
( Obrigada)

domingo, 4 de setembro de 2011

Fraquezas

Tenho com frequência semanas muito preenchidas, sem tempos livres para o que me surgir de inesperado, ou me apetecer. Enquanto salto de um lado para outro lado, tenho dias em que nem consigo parar para olhar o céu, e em que as horas me regem totalmente. Acho que nunca me subjuguei a nada, como me subjugo ao tempo. E sinto-me uma fraca por isso.

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