quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

rir

Nasci ao lado do avô paterno. Não na pose e na elegância, claro, que nisso não houve neta que o apanhasse no caminho, mas na arte de encontrar piada, sabedoria e continuidade, no que a vida tem de mau. Nada de ensinamentos a curto, médio ou longo prazo, que esses são para toda a gente, queira-se vê-los. Mas no imediato, enquanto a coisa acontece, na hora em que a mistela nos cai na vista e nos engole a visão. Ganho-lhe pontos significativos na tarefa de perceber com alguma facilidade algumas pessoas. Não que não me engane, acontece amiúde pontapés ao lado, bolas fora, remates para cima da baliza. Mas usualmente fico perto, não escapo por muito longe, mantenho-me no encalço do que pretendem fazer-me em contra-ataque. Não aprecio futebol, isto foi tudo porque ele, um Sportinguista fortíssimo, me ensinou que o respeito pelo adversário é qualquer coisa, e que na vida isso também acontece. Posto isto, inicia tudo a meio campo, e daí em diante é arte, sabedoria, paciência, persistência, sorte, respeito, trabalho de equipa, vitória. O que não quer dizer que não haja derrota, batota, azar, cada um por si, pontapés, brilharetes e injustiças. Nada disso me deveria incomodar ao ponto de fazer mossa, mas nem sempre a boa disposição mo permite, devo admitir, a herança está longe da ambicionada perfeição. Ainda assim agradeço ao meu avô a capacidade de rir, e a mim a sabedoria de assistir de bandeja às tentativas alheias de me cortarem o caminho, com pernas (...), com inteligência (???), com mãos (!), com o corpo todo(!!). Teria preferências distintas, confesso. Agradecer a elegância do meu avô era sem dúvida todo um cenário idealizado, mas a vida, essa superiora, achou por bem fazer-me rir.  

4 comentários:

  1. Como já dizia um velho amigo: um dia sem sorrir é um dia perdido. Ele tinha razão.
    Hoje, mesmo triste, fica o meu sorriso... :D
    Não quero olhar para trás e ter a difícil tarefa de contar quantos dias perdi.
    Um beijo!

    A.

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    1. Faz bem sorrir, sim. É sempre a minha melhor solução... :)

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  2. Olá, não será rir, sempre, o melhor remédio?

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