quinta-feira, 7 de julho de 2016

Ó que porra: tenham calma.

Tenho um certo patriotismo que me faz vibrar muito mais com a selecção do que com o Benfica. São-me quase indiferentes as guerras clubísticas entre o norte e o sul, entre Alvalade e Luz, e não há vez nenhuma que eu roa as minhas preciosas unhas, suba as paredes, respire com mais força ou me sente e levante cem vezes no decorrer de um jogo. Prefiro a paz do sossego no sofá, do encosto da almofada, do sono  meigo do cão. Vejo poucos jogos, de resto. Contento-me com um ou outro derby, petisco uns camarões e uns tremoços, faço pirraça com o meu filho e o meu pai, lagartos desde a ponta dos pés ao fio dos cabelos, e faço o meu afilhado saltar pelo meu clube em troca de um kinder ou de um chupa-chups, uma chantagem inofensiva que só vem adensar a grandeza da águia, mais do que reconhecida pelo público em geral. Mas depois passa tudo. Arruma-se a barraca e nunca mais me lembro daqueles onze, dos quais não sei o nome, a função, a vida ou a posição. Não faço a mais pequena ideia de quem os treina, quem preside ou quem decide, quem arbitra ou quem fiscaliza as linhas, qual o canal de programação que se dedica à transmissão dos jogos. É um ar que se lhe dá, quer ganhe, quer perca, quer empate ou quer nem chegue a jogar. Não interesso como adepta a clube algum, confesso, jamais pagaria cotas, nunca na vida teria um lugar cativo, tanto entro num estádio da Luz como num de Alvalade, no de Freixo de Espada à Cinta, ou no Vila Nova de Famalicão. Mas a selecção é outra loiça muito mais delicada. É outra praia, outra realidade, e aprecio pouco a típica defesa Portuguesa para lidar com a emoção: vamos perder, já deveríamos ter perdido, o Ronaldo não é tão bom como se julga, o treinador anda adormecido. Caneco, deixem jogar quem joga. Lidar com a expectativa faz parte da competição, e não deveria ser necessário este súbito zelo de protecção. Desporto é isto, e já estamos na final. Domingo poderemos ou não ser campeões, mas seremos grandes de qualquer maneira. Somos uma nação, pessoas, parem de dizer mal de quem nos representa até à exaustão do cansaço, dos banhos de suor, da dedicação e da pressão, quer gostem, quer não gostem, quer tenham medo ou ganas de ganhar. Ó que porra: tenham calma, respirem fundo e aproveitem o momento. Se não chegarmos lá com eles, sem eles também não chegaríamos. Orgulho, é palavra de ordem.  

6 comentários:

  1. Acaba por ser apenas futebol, mas não venhas com a conversa que não deliras com as vitórias do nosso SLB :)

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    1. Deliro, pois. Quando estamos quase a ganhar, ou quando há um jogo mais sério. Tirando isso, nem me lembro muito bem deles. É claro que se for ao estádio salto e pulo e grito e tudo. Mas é tudo muito comedido emocionalmente. Com a selecção é diferente, acho que é uma coisa do coração. O pequeno D. já canta o Hino de mão ao peito, sabes? Deve ser qualquer coisa parecida com isso... :)

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  2. No caso do pequeno D. acho óptimo, quanto mais afastado ele estiver de clubes menores, melhor (Aliás, tens feito um excelente trabalho nesse campo :P ).
    Quanto ao que interessa, vens comigo já em Agosto ao jogo da Supertaça toda vestida de vermelho ;)

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    1. Supertaça? Vamos jogar com quem?... :P

      Levo um cachecol, quando muito. Deve haver algum aqui em casa... :)

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    2. ... com o Braga.

      (Não leves só o cachecol, leva mais qualquer coisa vestido, que o que é bom deve ficar no recato do lar...:)

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    3. Levo então também umas sandálias de salto. Tenho uns pézinhos delicados, é preciso protegê-los :)

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