quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

agente educativo?

Todos os dias descubro coisas que me chocam. Não consigo habituar-me, não passa a fazer-me sentido, não se entranha depois de se estranhar, não se alojam no meu corpo determinadas realidades. Ontem recebi uma criança vítima de bullying, desde que a sua professora primária achou por bem enaltecer, perante toda a turma, que ela todos os dias levava a mesma roupa, e que certamente nem a lavava, ou sequer tomava banho. A criança, de origem humilde e esforçada, passou a ser apelidada de suja, de mal cheirosa, de pessoa com germes e vermes, para além de outras manifestações de outros seres pequenos, mas suficientemente violentos para descriminar, mais ainda quando guardados pelas palavras de uma senhora professora, suposta educadora, eventual agente de educação e crescimento. Conheço a escola há muitos anos, por dentro e por fora. Sei-lhe de cor o cheiro, as cores, os lados saudáveis e os lados podres, a disposição do terreno e as preocupações, as vaidades e as leviandades, e concluo invariavelmente a mesma coisa: enquanto um professor se centrar mais nos números e nas letras, na geografia e na história de Portugal, nos números e nos programas, do que na pessoa e no seu contexto familiar e social, nunca será um verdadeiro educador, jamais passará de um simples agente de transmissão de conhecimento. Pouco mais do que um manual escolar, por vezes quem sabe um pouco menos. O manual não se adequa, mas também não mata em duas penadas, a estima de uma pessoa. 

8 comentários:

  1. Qual é, afinal, a prioridade da educação?
    O dedo na ferida...

    Uma boa semana :)

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    1. É a educação mesmo AC. E a dos livros e do saber só pode chegar depois do básico estar assegurado. Uma boa semana para si também.

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  2. Mas, neste caso, é pior do que isso, não é ? Se o progessor se concentrasse apenas no português e na matematica, não teria feito tantos danos. Neste caso, o professor foi agressor. Independentemente do contexto em que o aluno. Em absoluto, este professor teve uma atitude agressiva e incitou à violência.
    (Isto não é um crime contemplado pela lei ?)

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    1. Provavelmente Carla, nem vou por aí. Já foi feita uma reunião com o director da escola, o assunto está a ser abafado, muito embora os pais estejam ainda, e como é lógico, bastante revoltados. Vou centrar-me em restabelecer a criança disto tudo. E dar o apoio de retaguarda necessário. É um caminho difícil o da lei de uma criança contra a lei de um professor. Mas não é impossível, eu sei...

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  3. Nem sequer um agente de transmissão de conhecimento, mas apenas de dados técnicos. Conhecimento é outra coisa :-)
    Um abraço

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    1. Sim Olga, é verdade... :( Aquela senhora é um agente do mal, isso sim...

      Um abraço para ti :)

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  4. Dou aulas e dou também muito amor e carinho, às 22h ainda estou ao telefone com pais porque estou preocupada com alguma coisa que sei que é necessária debater. Fiquei com lágrimas nos olhos. Um beijo

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    1. Em todo o lado há mau uso da profissão. Há locais onde esse mau uso pode ser dramático... :(

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