segunda-feira, 18 de abril de 2016

não pescam nada da vida

"Folheio" o jornal online com muito menos ânimo do que o faria se o lesse em papel. O Público alicia-me com pequenas notícias no canto inferior direito do meu computador, para depois me atirar à cara, mal leio uma ou duas, que estou a atingir o limite máximo gratuito e que das duas uma, ou assino a mensalidade, ou brevemente fico a ler as gordas e nada mais do que isso. Nem sei se me importo muito com o assunto. Estou farta de política, não ligo nenhuma a futebol, vou-me perdendo com uma ou outra dica cultural, alguma notícia social, um ou outro apelo ao mundo animal e é só, uma tentativa de relaxar ao final do dia, muito pouco eficaz, nada adequada, longíssimo da bolha de relaxamento que ensinei ainda agora à senhora que atendi em último lugar. Disse-me ela que voou para um campo de flores de primavera, e eu estive quase a pedir-lhe que me levasse com ela, mas felizmente desisti e acordei a tempo, mesmo a horas de receber um telefonema que me informou que afinal consegui adquirir o livro em segunda mão que há tanto tempo esperava. Fiquei feliz. Combinei com a senhora a forma da entrega e o pagamento, e, devo dizer-vos, estou cada vez mais encantada com os prazeres da idade. Um conjunto de folhas por três euros, certamente com cheiro a mofo, são o quanto me basta para me fazer sorrir. E nem sequer me importo se vier anotado. A sabedoria em compêndio é extraordinária, e o que eu realmente gosto mesmo é de saber o que os outros sentem disto ou da outra coisa, quer seja proferido, gritado ou rabiscado, num espaço em branco qualquer. Os gajos do Público queriam dez euros. Não pescam mesmo nada desta vida.

6 comentários:

  1. Dicas culturais é aqui:

    bonsencontros.blogspot.pt

    (os tipos do Público o que sabem é dar estrelinhas)

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  2. Eu faria exatamente o mesmo, CF. Dispensaria a assinatura do "Público" e, com os dez euros, compraria três conjuntos de folhas por três euros. Os livros que já trazem rabiscos e anotações consigo, ou seja, almas de pessoas, não têm preço, mas têm valor. E são uma melhor companhia :)

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    Respostas
    1. Do melhor, Miss Smile :)

      Um beijinho...

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