quarta-feira, 6 de abril de 2016

paragem obrigatória

Os treinos da bola estão suspensos. A grupeta desresponsabilizou o lombo, foi de férias, foi esquecida, foi demitida, achou por bem encostar ao sossego no dia da competição. Houve quem dissesse que a mãe não quis acordar cedo, é uma necessidade como qualquer outra, e o Domingo é dia de descanso, excepto para quem reza cedo na casa do senhor. Sinto-me mais ou menos no meio da guerra, estou careca disto no dia a dia, mas desta feita tocou-me cá dentro. Parte considerável da criançada investe com responsabilidade. Treina com afinco, acorda cedo para jogar, veste a camisola e atira-se de cabeça quando o adversário insiste, dá gosto de olhar a garra de equipa e, quando necessário, o bom perder. Eu, mãe, vou de arrasto e por dedicação. Coloco o despertador mais cedo do que na semana, visto-me de ténis e casacos quentes, percorro os pavilhões do pais e sento-me nas bancadas geladas, enquanto o vento uiva lá fora e a claques gritam cá dentro. Antes levava o jornal, depois deixei-me disso. Agora via tudo do principio ao fim, e batia palmas a todos, vencedores e vencidos, sem qualquer ponta de distinção. Fiquei no meio da barricada, insisto. Os treinadores não perdoaram as faltas sucessivas sem avisar e avançam com paragem obrigatória: não há mais treino, pelo menos por enquanto. Os pobres resistentes choram no carro enquanto me esperam. Os fugitivos do costume já fugiram há muito, são previsíveis os que se escondem para sempre. O desporto de equipa é isto mesmo, convém saber: ou há equipa ou não há jogo. A vida também caminha neste sentido, é um facto, e também convém ensinar desde cedo que por culpa de quem falha, perdemos todos. É justo? Não, não é. Mas não é possível mudar o mundo, nem no campo nem na estrada. É perder, aprender, chorar e avançar. 

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