sábado, 7 de maio de 2016

perfecto

O mesmo assunto, um mesmo ramo, uma outra abordagem, duas visões totalmente distintas, e a verificação de que algumas palavras e posturas podem fazer toda a diferença. Enquanto um, e perante o meu problema, me diz com a boca cheia de nada " não percebo qual é o seu problema", a outra, com dois olhos, poucas palavras, muita sintonia e uns gestos cheios de tudo, desmonta-me a charada em menos de uma penada, ou seja, não só percebeu o meu problema, como o validou, o normalizou, o partilhou e melhor do que isso, conseguiu explicar-mo, tintim, por tintim, com as minhas próprias palavras. Cada vez mais me convenço de que a prática clínica não é uma ciência, é uma relação. Só alguém em perfeita conexão comigo conseguiria ir tão longe em tão pouco tempo, e sei que não há livro que lhe tenha ensinado isso. Os livros orientam o saber, mas só o corpo consegue ir onde nada mais pode chegar. E falou-se em espanhol, claro, na hora de la siesta, debaixo de uma trovoada interna e externa. Não se ouviu nadinha senão brandura, paz e sossego, e poucas vezes tinha estado tão acordada para mim mesma. Minha senhora, tiro-te o chapéu. Faço-te uma vénia, estendo-te um tapete, e só não me ofereço para te ouvir porque me sinto uma formiguinha na beira do tanto que tens para dar. Perfecto. Simplesmente  perfecto

( Tenho tanto para aprender que das duas uma, ou nunca mais paro, ou nunca mais me encontro.)

2 comentários:

  1. E algum de nós se encontra verdadeiramente?
    Acabamos todos por parar sem nos encontrar. Não vejo nenhuma frustação nisso. É a vida. E se assim não fosse era um tédio :)

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    Respostas
    1. Eu cá acho que nos encontramos muitas vezes. Estamos é em permanente mudança... :)

      Um beijinho, Maria João...

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