terça-feira, 17 de maio de 2016

cura

Comi uma galinha cozida que me caiu mal. Deu-me a volta nas goelas, desceu com relutância, passou pelo meu corpo e não deve ter achado piada ao que encontrou lá dentro, quis sair e eu tentei impedi-la. Engoli em seco, calquei-a com água morna, sentei-me e comecei a ficar zonza, mas a danada da bicha não estava fadada para aquilo, e acabei por ter de lhe fazer a vontade. Há remédios santos e mezinhas históricas que já não se encontram em actividade. Renderam-se aos tempos modernos, às indústrias farmacêuticas, ao capitalismo e à sociedade. Os chás de camomila já não dão sossego, as laranjas já não combatem a constipação, o leite, está mais do que sabido, já não previne a osteoporose, e a canja de galinha já não cura a gripe e a indigestão. Para além do chocolate, claro, o chocolate também já não cumpre em plenitude o que sabemos ser a sua função. Devo dizer que me assiste por tudo isto o direito à reclamação, uma pessoa precisada já não pode contar com o efeito profiláctico, terapêutico e milagroso da alimentação. Das duas uma, ou é tudo de estufa, sem boa maturação, ou os males estão mais fortes, sem cura ou recuperação. 

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