domingo, 31 de julho de 2011

Da liberdade...

Desde a nascença, crescemos inundados de uma liberdade fictícia que chega a ser quase real. Gostamos de a apregoar ao infinito, dá-nos um conforto sedutor, do podermos escolher o que queremos, quando queremos, conforme nos aprouver. Esquecemos, por vezes, que a vida nos tolda. Em regras, em respeito ao outro, em opções, em sentimentos. E nos deixa com frequência num leque circunscrito, que analisamos, percorremos, e nos permite uma escolha que mais não é do que ínfima, e por demais limitada, perante a imensidão do mundo. Hoje a ser verdadeiramente livre em escolhas, não estaria neste sítio, estaria noutro. Juntamente com um outro conjunto de mudanças que faria, assente na tal liberdade que não tenho. Mas que por vezes julgo ter. Liberdade, é uma palavra estranha, que vai-se e ver nos limita, quase sem darmos por isso, para nos deixar no estado ilusório, mas muito agradável, do poder. Quantas vezes não deixamos de trilhar certos caminhos, porque quem nos acompanha, os não quer? Ou quantas vezes não somos nós mesmos, porque a sociedade nos aponta? Entre outros inúmeros exemplos. Mais não somos, na nossa essência, do que seres pequenos, circunscritos a um corpo e a uma mente construída por tantos outros, e donos de uma pequena margem de manobra, moldada, castrada. Mas gostamos muito de pensar que não, e somos tão mais felizes quando acreditamos nisso.

5 comentários:

  1. Acho que o melhor comentário que te posso fazer é que estou sentado no meu sofá, em plena preguiça de domingo à tarde, rodeado de amigos em mesmo estado letárgico e, ao ler-te, simplesmente tive que mostrar este teu post a todos. Adoraram, tal como eu. Sem palavras.

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  2. :)Oh, Menino do mar... Obrigada :):)

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  3. Fazemos mesmo isso AC, conosco e com todos a nossa volta, e pior, quando alguém é capaz de viver essa tal liberdade, fica a margem do entendimento do restante.
    Liberdade é talvez a arte mais difícil de se construir, não tem portas nem janelas, nem sofá e televisão. É plantada a mercê dos tempos, das décadas, do frio e do sol.

    Tentemos um pouco aqui e alí, momentos de liberdade, talvez essa seja a ponte, dói, mas a felicidade é real.

    5 bjs

    Cozinha dos Vurdóns

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  4. Eu entendo a liberdade, como uma utopia, com pequenos rasgos de alcance, momentos efémeros em que a temos. No restante, somos vítimas de ditaduras dissimuladas, algumas inevitáveis, outras auto-impostas. A liberdade plena, não existe. Aproveitem-se os rasgos, que sejam eternos enquanto durem :)

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  5. Houve um filósofo que disse que nós estamos "condenados a ser livres". Eu também acho que sim. Gostamos de pensar que não porque a usamos como moeda de troca. Mas isso é também um exercício de liberdade.
    Beijos

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