domingo, 16 de dezembro de 2012

Pesadelos

Conseguimos reunir dentro desvios suficientes para que consigamos cometer actos de crueldade. Não me parece possível que nasçam connosco, que se encontrem enraizados na gente tal e qual o instinto de sobrevivência que nos acompanha desde os primórdios dos nossos dias e até sempre, leito da morte incluído. E então intrigam-me, inquietam-me, ainda que possam estar longe de mim. Normalmente viro-os e retorço-os, tento encaixá-los em teorias distintas desde as mais simples às mais intrincadas, com diversos complexos incluídos, ensaio entrar em cabeças que não me pertencem sem qualquer tipo de direito, conhecimento de causa, legitimidade ou exequibilidade, a fim de conseguir absorver qualquer coisa que me explique em coerência, o porquê da barbaridade extrema. Nunca nos é possível porém, e nos terrenos da personalidade, perceber com exactidão os comportamentos, projectar certezas absolutas ou estabelecer teorias irrefutáveis, pelo que acabo também eu a reger-me por meras projecções e ao abrigo de suposições que alio à humanidade, a mais  enredada das existências. Às vezes, muitas vezes, chego a esquecer-me dos limites. Embalo-me ingénua e desatenta nas blandícias simples da generalidade dos corpos, eventualmente os mesmos que de vez em quando se zangam com o mundo, e fico incrédula perante a revolta. Questiono-me de onde virá, deambulo perdida entre sacudires desnorteados, erros de percursos, perturbações nascidas ou construídas, mas permaneço insatisfeita no entendimento conseguido, sempre próximo de coisa nenhuma.

10 comentários:

  1. Lido bem com eles, os legítimos, aqueles que me visitam quando durmo. Porém, com os que me assolam, acordado, esses não.

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  2. Sputnick, é dos que nos assolam quando acordados que falo. Os piores de todos, claro...

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  3. Desculpa, mas o Homem é cruel por natureza. Mas se quiseres podemos discutir Rosseaou e Le bon sauvage.

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    1. Eu sei que o Homem é cruel. Mas existem actos, quiçá de loucura ( onde é que eu já ouvi isto :)...), que me parecem vindos de qualquer coisa que me escapa à compreensão... O que será a crueldade senão um acto de loucura extrema? E refiro-me à crueldade enquanto acção, sem qualquer tipo de necessidade de sobrevivência...

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  4. Discordo. Certos actos podem (e devem) ser executados com uma boa dose de crueldade. Posso explicitar.

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  5. Já que tu hoje te encontras tão disponível, explicita, sim. (Eu gosto quando tu explicitas...)

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  6. Ora, quando proporciona prazer ao outro. Se ainda estivesse vivo, Sacher-Masoch explicava melhor. Ou, então, outra pessoa ao calhas...

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    1. Pronto, acabo a ter de concordar contigo. No ponto que tocas tens toda a razão. Só ressalvo que aí a crueldade não será loucura...(ou será?)

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  7. ( A loucura transcende-nos Paulo. Quando é da má é muito má, quando é da boa, é muito boa...)

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