quarta-feira, 7 de agosto de 2013

descansos


(Audrey Hepburn)

Agosto é do descanso, nota-se nas pessoas, nota-se nos jornais, nota-se nas ruas e nos dias de calor intenso, nota-se nos bichos deitados no quente do chão. Descansam as doenças, descansam os médicos, descansam as estradas e as passadeiras para peões, descansam as ideias que dormem até Setembro, quando a escola começa e o trabalho reage à morte do fastio. A blogoesfera na generalidade, também dorme. As ideias, fraquinhas, escorrem dos dedos molengas e saem numas linhas que ocupam um espaço virtual aborrecido e enfadonho, falo por mim. Raramente releio os meus textos, mas ultimamente, e se o fizer, enfastio-me. Há honrosos blogues excepcionais que mantém o vigor, verdadeiras lufadas de ar fresco no meio de um atlântico mortiço no pasmo da mornidão, atestamentos mais do que suficientes para que saibamos que o calor também pode servir para um ou outro apontamento de interesse, ainda que possa ser domingueiro, veraneante, parodiante. No outro lado, naquele onde se escreve sem vontade e sem ter de quê, nascem uns conjuntinhos estranhos e desenxabidos condecorados a bocejos persistentes, sobreviventes aos dias sem o adorno das pérolas e dos sapatos altos, do risco preto ou do bâton encarnado, totalmente imperdoáveis, impensáveis, desnecessários. Escrever sem vontade e sem ter de quê deveria ser proibido. Já que a mão que nos modera, em Agosto dorme também.

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