quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

avanço

À medida que o tempo passa descubro em mim um ror de defeitos. Quase parece que o crescimento nada me ensina, que a vida nada me traz, que o saber da experiência é uma inútil grandeza que exerce as suas funções em terreno fértil, que não é claramente o meu. Quanto mais cresço mais decifro incongruências, mais detecto ignorâncias, mais me encontro frente a frente com perguntas sem resposta, labirintos eternos, descobertas que emergem por entre os trilhos do cansaço, das crenças, do amor. Teimo sempre em parar para ver. Faço questão da pesquisa e da análise minuciosa que até parece funcionar de mim para fora, mas que claramente não assenta assim tão bem do meu corpo para dentro. Não sei ao certo se esta "desevolução" faz parte do avanço, mas a verdade é que me sinto cada vez mais longe da perfeição intelectual, da consciência da vida tal e qual ela é, da certeza absoluta que nos guia na adolescência, da verdade certa e sabida que nos acompanha tão perto, no inicio da adultez. Hoje encontro em mim um caminho quase vazio de saberes e um crescente de dúvidas, com um ou outro salpico de coragem, uma pura enciclopédia muito pouco cientifica. Viver é esta incongruência, parece-me, uma pura transformação para o principio da ignorância, um elogio à crença de que cada vez fico mais longe. Se não em realidade, claramente em convicção. 

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