sexta-feira, 11 de outubro de 2013

frustrações

Não olhem o mundo com a ilusão interna da construção à medida, olhem-no com olhos de ver. Não o cheirem afastados ou demasiado próximos, ambos turvam a claridade exacta, tanto quanto é possível tê-la. Espreitem-no todos os dias sem critério de superioridade ou inferioridade, imiscuam-se nele, percorram-no por dentro e por fora, sem medo e com perseverança. Vivam-no, esmigalhem-no, observem-no com a minúcia detalhada da cirurgia que corta e repara, para que fique inteiro outra vez. Desiludam-se, sim, por muito que exerçam a tarefa ao rigor matemático a desilusão estará sempre presente, é assim que se constrói a realidade do lado de fora, que a outra é imaginação, idealização, construção interna crescida à medida da individualidade de quem quer o mundo redondo, com perfeita sintonia entre o mar e a terra, entre o ar e o céu,  escorreitos em continentes pequenos e fluidos que percorrem o circuito exacto da sensatez que não há, mas que nós queríamos tanto, mas tanto. Insisto para que o façam de exacta forma comigo, peço que não me imaginem num ser que não habita senão na mente, e que encarem a frustração sequente de algum abuso atrevido, como aquilo que me faz gente. De outra forma, eu não existia. 

(Às vezes não pensamos nisso, mas a frustração é o que nos torna reais.)

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