terça-feira, 27 de novembro de 2012

Chuva

A chuva insiste em baptizar-me horas que escorrem sem demora junto com ela, nas estradas invadidas de folhas de outono. Juntas fogem depressa, escoam-se nos ralos limpos da rua que sorvem famintos o líquido forte. Abranjo plenamente o desejo da natureza, compreendo-lhe a ânsia desaforada em levar para dentro de si grandes momentos, perdoou-lhe até a ousadia em preservar para ela os que eu guardaria ao infinito de mim. Mas a poder, roubar-lhos-ia, confesso. Derramar-me-ia concomitantemente, respiraria o cheiro, sorveria os sentires até aos limites do meu corpo e fundir-me-ia clandestina, nas gotas da chuva e do tempo que nos leva. Devagarinho, e só até mais logo.

( Gosto da chuva. Não penso muito sobre o tempo e suas vicissitudes. Ainda assim continua-me um conceito estranho. Um vazio onde nos movemos balançados, ora para um lado, ora para o outro.) 

2 comentários:

  1. Até pode ser problema dos meus olhos, mas este texto tem o seu quê de erótico. Não...?

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  2. Se com erótico queres dizer eu estar toda ali em vontade expressa, sim...

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