terça-feira, 29 de janeiro de 2013

era a solução para a folha, já agora...

Mães que matam filhos, já as tive bem ao perto, mas o que eu tenho mais perto, isso todos os dias, com a distância de um passo, de um jornal ou de uma televisão, é gente que sabe muito. E gente que sabe muito são pessoas que sabem coisas, imensas coisas, consideráveis coisas, sabedoria essa que pode não ser tão ameaçadora como sérias descompensações mentais, mas que não deixa de constituir um perigo para a humanidade. Bem sei que a liberdade de expressão pode vir a ser chamada, cada um disserta sobre o que bem entende, quer perceba quer esteja a léguas de distância, fica sempre bem uma palavrinha opinativa ainda que do assunto apenas se tenha lido umas gordas num diário ou escutado umas frases fugidiças no jornal da noite, enquanto o jantar estruge no fogão e faz uma barulheira do caraças, ao mesmo tempo que os putos jogam à bola na parede da cozinha. E quem diz aqui, diz noutros sítios, são imensos. Somos dotados de capacidades, fica-nos sempre qualquer coisa alojada no ouvido que faz com que a partir daquela altura sejamos capazes de emitir juízos e pareceres que encaixamos no âmbito de verdades absolutas, quanto mais não seja porque são nossas e nós estamos na maioria das vezes certos. Portanto e pegando no assunto em questão, já ouvi e já li de tudo quanto se pode ouvir e ler. Já ouvi teorias de doença diversificadas, de lentidão de justiça, de sorte e de azar, de mãe muito triste e de mãe excessivamente feliz, de abordagens certas e abordagens erradas, depende. Não se estão certas ou erradas, não, mas de quem ouve e de quem fala. E é giro isto. Temos um País letrado em doenças mentais, leis e formas de actuação, entre outras diversificadas ciências que se aprendem nas esquinas da vida com um orgulho maior, género o ditado antigo, de médicos e de loucos todos temos um pouco. Acrescento, claro, posso acrescentar que também tenho opinião. Ora cá vai: de juízes, de advogados, de psiquiatras, de assistentes sociais e  por aí fora, existem muitas. E sendo assim podemos então assumir que toda a gente sabe exactamente o que deveria ter sido feito para evitar a tragédia e para que mãe e filhos estivessem vivos, saudáveis e felizes na medida certa. Ficará certamente esquecida a imprevisibilidade, a ausência de nivelamentos e previsões milimétricas, ainda o facto de não possuírmos estratégias cem por cento eficazes, entre outras. Mas já agora e aproveitando os recursos, posso dizer-vos que daqui em diante gostaria muito que todas essas pessoas que sabem que se fartam e que pelos vistos não apresentam as limitações atrás enumeradas, unissem esforços, curassem gente e evitassem que dramas destes se repetissem. É que nem se justifica, com tanta sabedoria envolvente.
E já agora, bem sei que é outro âmbito, mas solução para a crise se faz favor. E para as folhas de ordenado deste mês, para todos os funcionários que não pertençam à CGD e à TAP. Ainda outras coisas virão a pedido, claro, mas por prioridades, tenhamos calma. O povo saber, sabe, mas uma coisa de cada vez.

10 comentários:

  1. Mas não estará também com este texto, a opinar sobre as pessoas que opinam e que nada sabem. Arriscaria a dizer que é um círculo vicioso.

    Se me permite, gostaria de saber em concreto, qual a sua opinião em relação ao assunto?

    Eu não me arrisquei a falar sobre este tema, apesar de também ter lido nos jornais e ter ouvido noticias, porque acho que é um assunto demasiado "frágil" (não me ocorre outra palavra de momento).

    Mas já agora e pelo que li, estando este caso como que "assinalado", porque raio é que os casos estão assinalados, e a segurança social e as assistentes sociais, ou lá quem quer que seja, espera tanto tempo para resolver casos "assinalados"?

    Esperam sentados para que de um momento para o outro já não exista caso, e possam dormir descansados? O que andam, já agora, a fazer as assistentes sociais? Aguardam desfechos destes?

    Isto tudo foi uma mistura de perguntas para as quais não tenho resposta. Que me incomodam e que por vezes mais que não seja para desabafar, gosto de opinar. Talvez aconteça alguma coisa, se optarmos por não nos manter quietos no nosso canto. Se dissermos alguma coisa.

    O silêncio por vezes não é solução, ainda que as palavras que nos saem pela boca, sejam também muitas vezes disparates. Mas, se os que se formaram para bem fazer as coisas cometem tantos disparates, porque razão não pode o povo fazê-lo? Também paga impostos. Também o roubam. Portanto, na minha opinião tem direito a opinar.

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    1. Maria, toda a gente tem direito de opinar. O que critico, e se é que não me fiz entender, são as opiniões levianas e inconsequentes, com pretensões conclusivas, em casos delicados, como este. Ninguém sabe ao certo o que se passou, e muitas vezes, mesmo quem se encontra bem perto não consegue a devida acção, dentro do tempo pretendido. Por isso há erros, e sempre haverão. Li muitos exageros sobre o assunto, assunto esse demasiado sério para ser julgado em praça pública, é só isso.

      Opinião sobre ele em concreto, perdoe-me, mas não lhe vou dar. Não é por nada, é só porque a não tenho. Precisaria de dados muito mais precisos para avaliar acções que no terreno, podem não ser de tão fácil execução como parece.

      Não simpatizo muito com a ideia de falar só para dizer qualquer coisa, pelo menos em assuntos delicados. Quando quero dizer qualquer coisa digo de mim, digo do tempo, invento um texto, falo para o vento. Mas isto sou eu, claro. É a minha opinião, que como diz, e bem, também dou.

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  2. A autora deste blogue está muito contestatária para o meu gosto... mas, lá está, aproveitando ditados, quem não gosta, não come :)

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    1. Não estou Paulo, não estou. Falando só neste post, sabes bem que o tema me é caro. Ouvir e ler dissertações sobre ele, quando pouco se sabe, em concreto, da situação e da intervenção, parece-me abusivo. É só isso que eu contesto, nada mais. Já sabes que por vezes me influencio na escrita, olha, eventualmente exagero na emoção. Foi o caso?

      ( beijinho...)

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  3. Desta vez deixo um sorriso e uma gargalhada. Muito bem dito, mas adianto que tal não é exclusivo de Portugal, aqui em França é a mesma coisa e noutros paises se repete. Atrevo-me a adivinhar que é uma caracteristia humana. Mas isto ja sou eu a fazer teorias e a saber mais do que os especialistas...
    Seja como for, gostei muito deste texto, do tom e do conteudo.

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    1. :) Carla, ainda bem que me entendeste. Às vezes emociono-me e a coisa sai de rajada. O tema é-me próximo, e não é fácil desligar botões quando trabalhamos no meio... Imagino que seja abrangente este hábito, muito nosso. É humano, como tão bem dizes, se calhar é é mesmo isso...

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  4. Bom, não sei nada ainda sobre a notícia - foi algum caso que passou na TV? Mas subscrevo o que dizes - não faltam opiniões, juízos críticos, gritaria, crueldade e basicamente muita falta de conhecimento profundo sobre tudo. Acusar é tão mais fácil...

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    1. Fátima, um caso dramático de uma mãe que matou os dois filhos e se suicidou. Nestes casos as opiniões valem tão pouco... É isso...

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  5. E pronto CF, masi uma vez li e reli e agora tenho que parar para refletir :)

    Sorrisos :)

    **estou para ver a minha folha de ordenado, já que não faço parte das duas empresas acima indicadas**

    Ana

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    1. Sorrisos Ana. E deixe lá a folha de lado. Olhar em demasia pode fazer azia... :)

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