sexta-feira, 15 de março de 2013

géneros, por exemplo isto

A fila esmoreceu-se. Havia o velhinho de bengala de pau e eu, as restantes eram pessoas apressadas em corrida, chave no apartado e saída,  antes da porta fechar. Dona Teresa desfaz-se em simpatias, pergunta-me do filho, do trabalho, da família, minha e dela, como se eu soubesse tudo o que há para se saber. Respondo-lhe sempre que vai bem, de circunstância, vamos indo, andando, tudo igual, mesmo que não esteja, mesmo que assim não seja, mesmo que a vida se torça e retorça, mesmo que vá nascer gente amanhã. Ao lado dela um conjunto de colegas dividem-se em tarefas monitorizadas, distribuição de envelopes endereçados, pacotes de encomendas, registos, avisos de recepção, cada um concentradíssimo até que a porta se abre a uma senhora simpática. Sorriso nos lábios, andar apressado, retira o ticket, olha o visor que toca no mesmíssimo segundo pelo homem do meio e dirige-se à chamada. O homem da ponta, já em passo rápido na direcção do seu posto, olha o homem  do meio de lado e balbucia, estragaste-me a festa, esta era para mim. O homem do meio sorri discretamente e procede ao atendimento, cortês e amável, enquanto a senhora trata o que tinha a tratar, calma, já sem sorrir. Dona Teresa insiste comigo, eu chuto para canto. O velhinho esconde as notas na bolsa pendurada ao pescoço. A senhora sai, o trabalho prossegue. Meia dúzia de gente, outras tantas jogadas, cada um por si.

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