sexta-feira, 7 de junho de 2013

(...)

Preciso com urgência de me entregar a ti, aqui me queres aqui me tens, assim como se o meu corpo deixasse de pertencer à minha vontade para passar a pertencer exclusivamente à tua, podes pegar-me e revirar-me, contorcer-me e moldar-me ao que possa apetecer-te, esqueceres-te de que o intento que me cerca existe, matamo-lo umas horas esquecidas, muitas, as suficientes para que eu me farte e tu te canses. Depois deito-me ao teu lado. Cheiro-te a barba rija e rio-me sem que tu vejas que eu rio, entrelaço os dedos definhados e procuro-te por baixo dela no instante em que te encontro em palavras ditas ao meu ouvido pela tua boca que solta o espírito preso ao tempo, que voa por nós. Encosto-me mais e melhor como se a minha pele pudesse tocar a tua toda ao mesmíssimo tempo, sem espaços ou segundos que permitam o ar que circula e nos mantém vivos aos dois, nós, eu e tu, e esfrego-me com o nariz que te repuxa numa insistência teimosa, sabes como é, estás farto de saber como é. Esvoaça ao lado uma cortina que nos relembra que o mundo é mais qualquer coisa para além dos sentidos plasmados no espelho da parede que reflecte uma mescla definida por uma tinta chinesa tracejada numa exímia precisão. Agora já te mordo as orelhas, já quero, já mando, já me obedeces enquanto me dizes o que eu queria tanto que dissesses, sem que eu te peça. Lá fora corre uma noite fresca a saber a verão de Setembro e a cheirar a uma maresia forte que me abraça no instante em que me largas a espreitá-la. Ela, a noite, pensa que te rouba de mim. Acena-te do alto da imponência da lua, das estrelas, dos seres perdidos e fantasmagóricos, dos anjos e de todos os santos que oram em conjunto umas rezas quaisquer. Parva que é, perderia lá eu uma perca assim. Olho-a nos olhos e enxoto-a como quem sacode um empecilho que não quer no caminho escuro do breu clandestino. Tu olhas nos meus e perguntas-me porque me excedo. Eu brinco contigo e não te respondo, persisto na luta renhida que a noite me trava em combate desigual, de um lado eu, do outro ela e os guardas soturnos que embalam os sonos e os sonhos do mundo todo em descuidos sem fim. Acordo sem dar por isso, manhã cedo, a noite passou e tu estás comigo. Viro-me e adormeço, tão sossegada.  

6 comentários:

  1. Olá...
    Gostei muito do teu cantinho...
    Sou nova na blogosfera como blogger mas já cá navego há bastante tempo como leitora...
    Parabéns pelo excelente trabalho que tens feito no teu Blog...
    O meu cantinho é:
    dollhighheels.blogspot.pt
    Se puderes dá uma espreitadela e se gostares segue-me...
    Bjokas
    Bruna

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    1. Dool, obrigada pela simpatia. Espreitarei, com toda a certeza.
      Um beijinho.

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  2. Lindo texto, belo recado de amor!!! Adorei, parabéns....

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    1. Obrigada Paula. Beijinho para si, e bom fim de semana.

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