quinta-feira, 30 de outubro de 2014

30/10

Uma das minhas origens nasceu neste dia, há muitos anos atrás. O pronúncio fatal de um escorpião enraivecido comprovou-se em cada fala, em cada gesto, impresso nuns olhos que amaram pouco mais do que coisa nenhuma. Diziam dele, claro, eu não acredito. Gostou mais de mim do que dele próprio, não tenho dúvidas. Passeava-me no colo e comprava-me bolas de serradura, presenteava-me com bananas e com batatas fritas, levava-me ao clube enquanto jogava cartas e dominó. Nunca lhe conheci o olhar característico sentido por todos, talvez falha minha, eventualmente falha dele. Guardo-o aqui igual a sempre, tal como ele me guardou da soleira da porta, para que nenhum maroto me levasse dali. Hoje, há um ano atrás, nasceu outro membro na nossa família. Sob o signo de um escorpião traquina, uma ternura, nuns olhos tão doces quanto o sorriso maroto que lhe escapa de dois dentes, solitários numa boca que se abre sempre, para um contentamento insistente. Dizem há muito, já li em livros, já escutei de vozes sabedoras, que as famílias se devem reconstituir a elas próprias, que as pessoas se renovam, que os percursos prosseguem. Hoje é um dia bom. O dia em que o velho, que já morreu há muito, apareceu para que existíssemos, e o dia em que o novo, pequeno, nasceu para que continuássemos. 

6 comentários:

  1. Respostas
    1. :) Diz a ciência que existem genes recessivos e genes dominantes (ou não foras tu um apaixonado pela biologia...). Aqui deste lado há os dominantes. Pele escura, cabelos escuros, olhos escuros... De novas misturas, não sei o que nascerá... :P

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  2. A maternidade tornou-me uma chorona=) beijinho mana*

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    1. :)) a maternidade torna-nos umas lamechas, é o que é...

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