quinta-feira, 2 de outubro de 2014

pequenos mestres

A vida é feita de pequenos mestres. São eles que me orientam no meu dia a dia, me ensinam as cores da calma e do medo, me transmitem o lado de mãe e o lado de filha, o lado da mulher e o lado do homem, a casa do novo e a casa do velho. Ouço-os muitas vezes falar com a ligeireza de quem nada me ensina, de quem não me traz qualquer bem, de quem pouco acrescenta ao que esta vida escreve direito, em cartazes padronizados, em anúncios optimizados, em livros científicos de extrema precisão. Estão todos redondamente enganados. A Dona Luciana da praça, a Dona Cidália da loja, a Dona Rosa mãe do Pedrinho, a menina simpática do balcão. Entre os gestos automáticos da profissão, entre a régua da educação, entre um serviço prestado por disponibilidade ou dever, dão-me lições a cada dia que encontro. É claro que a mestre maior serei eu no meu lugar, numa equivalência com todas as pessoas do mundo. Mas elas, as outras para além de nós próprios, são mestres de vida e de acção. Somos todos pequenos mestres. Tão pequenos que ninguém nos vê.

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