segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Almas cheias

Entro a convite, que ao senão, ficaria de fora. Quase impossível isso seria, que já ao longe, na esquina da rua, se fazia sentir a música que lhes pulsa do corpo. Essa, sim, a que lhes escorre nas veias, que da outra, percebemos também nós, mas daquela, da que vem de dentro, em cada batida, em cada passo de dança, estamos-lhe longe. Nesta mistura descabida de dentros e foras, constato que afinal, e ainda que no recinto propício, não consigo chegar-lhe. Mantive-lhe uma certa distância de segurança que me salvaguardou o espaço, que aqueles toques de anca, aqueles pés que trocam a ritmo, aqueles esfregares de corpos nem me pertencem, que sou de cá, não sou de lá. Estive entre bolos, balões, gente que canta e que dança, como se na vida, nem males houvessem, ou se os houverem, que fiquem de fora, que é o lugar deles, que na hora da festa, festa será. Correm pequenos, grandes, velhos e velhas, que saltam do nada, sorriem por tudo, balançam-se apenas e só, porque é isso mesmo que lhes apetece. No centro da sala, as luzes acendem e apagam criando um espectáculo digno de uma qualquer casa de dança, enquanto no meio, um gigantesco bolo de chocolate, faz as delicias da pequenada, dentro de uma casa vazia de coisas, mas tão cheia de almas cheias. Não são de cá, são de lá. Viemos embora, estava na hora. A festa continuou, e eu regressei ao meu mundo.

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