sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Das leituras amargas

Nos jornais que desfolho, atafulham-se negras histórias de vida, quase parece que no cantinho plantado à beira do mar, o sossego descansou, numa auto apropriação da palavra, e algo poderoso e ameaçador ousou tomar-lhe o lugar. Nem bem percebo a lógica usada, que uma vez conseguidos determinados estatutos, nem deveria ser permitido o recuo, a inversão, por assim dizer, julgo tratar-se de um caminho completamente anti natura, indesejado, temido até. Ainda que nem considere que em tempos cá reinou perfeição alguma, desde os Dom Afonsos Henriques, outros Dons, Salazares e daí em diante, julgo até, e na minha modesta opinião, que chegamos, numa era não muito distante, a atingir algum equilíbrio, com altos e baixos, diversas conjunturas, enfim. Encaro com naturalidade uma época de crise, sendo que as crises mobilizam a evolução, e mais não posso esperar, do que uma bonança após o tormento, ou seja, não posso aguardar menos do que algo de bom no seguimento do período que atravessamos, uma vez que a ordem das coisas tem sido essa, ao longo dos tempos. Não me apetece por ora analisar estratégias políticas para que o caminho se efectue, julgo que cada cidadão terá o seu papel, uns mais determinantes do que outros. Que cada um faça o seu, parecer-me-ia excelente.
O que eu queria mesmo, era deixar de ler desgraças, obviamente como consequência das mesmas se terem atenuado, como por exemplo a história da Cloé, vítima de fibrose quística, filha de uma mãe que a cuida todos os dias, e de um pai que perdeu recentemente o emprego, e que necessita de pagar, uma vez por mês quando tudo corre bem, 120€ aos bombeiros, para que estes a levem ao tratamento realizado no hospital. Estas e outras leituras, era de todo o que eu não queria. Perturba-me que crise, seja sempre sinónimo de mais desgraça, para quem tanta já tem.

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