domingo, 20 de fevereiro de 2011

Visões

Já todos sabemos que os sonhos nos guardam o sono. Já há muito se fala nisso, o grande Sigmund Freud, debruçou-se seriamente sobre o assunto, deixando-nos um legado considerável de textos referentes aos ditos, considerando-os como uma realização de um desejo inconsciente, que o individuo não teria conseguido realizar. Nem julguem cá ser numa primeira análise que se compreendem, e que num ápice se chega ao seu real conteúdo, sendo que o manifesto, ou seja, o sonho em si, esconde-nos uma considerável latência carente de interpretação, onde aí, sim, se encontram os desejos, as vontades, os receios, os recalcamentos. Por este motivo, não é possível ao comum dos mortais realizar uma análise pronta perante um sonho, que necessita de ser devidamente analisado, estudado e fundamentado, a fim de se lhes conseguir atribuir um significado, admitindo aqui as teorias interpretativas dos mesmos, coisa susceptível de celeuma. Mesmo que as admitamos, nem me parece propriamente um caminho fácil, sendo que lhes inserimos um mundo inteiro enquanto dormimos, basta cada um debruçar-se ligeiramente sobre o assunto, para de imediato concluir isso mesmo. Existem porém especificidades que me intrigam, e aqui, confesso, pela distância ao estudo que lhe fiz em tempos, podem escapar-me particularidades já sabidas, que nem me preocupei por ora em analisar. Não estou muito para ai virada, que francamente falando, nem nunca valorizei grandemente estas manifestações do inconsciente, atribuindo-lhe algum significado em situações específicas, e esquecendo-os totalmente quando inseridos na banalidade, sendo que me centro muito mais em comportamentos reais durante a vigília, do que no que deixamos escapar enquanto dormimos. Mas esta noite, singularmente, sonhei um sonho particular, no qual penso. Sobre acontecimentos que nem nunca vi, e que, assumidamente, nem nunca quererei ver, por não constituírem realidade que de alguma forma me cative, me cause agrado, ou curiosidade. Envolvia gente esquisita, em sítios estranhos, com atitudes triviais. Eu olhava ao longe, numa passividade exacerbada, como se me encontrasse inundada de um estranho voyeurismo que me dava um prazer sem limites, porque via, apenas e só. O mundo girava, e eu, apenas via.

3 comentários:

  1. Também já tive desses. Outros tive, que lamentei serem sonhos, e outros, uma quase assustadora antecipação de uma situação real, onde me pergunto - eu já vivi isto, mas onde?

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  2. Tenho o estranho hábito de valorizar os sonhos. Muito. Acho sempre que o meu inconsciente sabe mais do que o consciente, vá lá saber-se porquê...

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