domingo, 13 de fevereiro de 2011

Do rolo...

Ela trouxe-me o rolo da massa. É imortal, que muito embora por vezes nem pareça, a imortalidade é coisa que existe, na mente quanto mais não seja, que uma vez consciente, transporta para a nossa eternidade o que quisermos transportar, o que quer que seja que nos apeteça guardar. Guardo coisas sem fim. Uma delas, o uso que lhe dávamos em vésperas de Natal, na mesa de madeira velhinha, na cozinha do quintal. As almofadinhas surgiam das minhas mãos, cortadas a preceito com a roda dentada, para tu pores na frigideira larga, onde ficavam doiradas e estaladiças. Já cá fora, o açúcar compunha o resto. Antes porém, do rolo trabalhar, amassavas num alguidar de barro gigantesco a bola de farinha, regada a água ardente e sumo de laranja, enquanto eu mirava deliciada. Não sinto cheiro no rolo. Mas conheço-lhe a cor gasta e brilhante, própria de quem já tendeu em óleo. Vai ficar cá. Mas se não ficasse, estava comigo na mesma.

3 comentários:

  1. E dá sempre jeito ter um em casa...:):):)

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  2. Realmente, as recordações que certos objectos nos trazem. Também eu sou saudosista e adoro ter por perto essas pequenas preciosidades.

    Maria

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