terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Em directo...

Mais um assunto que me indignou recentemente...
Como será possível que alguém venda os direitos sobre a sua Morte a um canal de televisão? Se calhar sou suspeita, pois sou uma acérrima defensora da vida privada, e no que toca à morte sou daquelas que pensa que tudo o que a rodeia, incluindo os cortejos fúnebres deveriam ser o mais resguardados possível... O que se faz por cá nesse campo, onde a Morte assume um carácter público, para mim já é um exagero; mas morrer em directo, confesso que me choca. Que fará alguém transformar uma situação de sofrimento num espectáculo público? Seja a Morte encarada de que forma for, seja á luz da religião, ou não, seja uma passagem pra outra vida, ou um fim, tem sempre uma brutal carga de sofrimento, e não me parece nada digno um tratamento destes... Nem para quem morre, nem para quem vê morrer...
O simples Big Brother, aos meus olhos, já é uma aberração, por toda a intimidade que se partilha, por toda a privacidade que se perde; mas enfim, ganha o entretenimento e a nossa vertente mais voyeur... Mas parece-me que se está a ir longe de mais. A necessidade do ser humano de testemunhar sofrimento, intriga-me... Justifico-a talvez pela necessidade de relativizar os nossos problemas, de sentir que há algures no mundo situações piores do que a nossa... De qualquer forma, há um limite para o razoável, e uma morte em directo, vendida deliberadamente, é arrepiante... Não haverá mais nada para fazer que ficar a olhar para uma televisão à espera que alguém dê o último suspiro?!?! Numa invasão directa da intimidade alheia, de algúem que vá lá saber-se porquê se presta a um cenário destes... Por favor que alguma força ilumine esta senhora, e a quem se prestar a ver um espectáculo tão doentio...

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