sexta-feira, 5 de abril de 2013

limitações

Deslizam por entre um mundo de espelhos invisíveis que só eles vêem. Próprio da personalidade histeriónica, mais que evidente. Sempre senti alguma aversão pelos neuróticos histéricos que intentam seduzir o mundo como quem se vende em cada passo, criteriosamente arquitectado no rigor do detalhe. Neles o outro é claramente menor. Acham-se ainda na condição de matar sonhos como quem pode fazê-lo de um lugar superior, e isto é só um exemplo. Assim "crescem" mais um bocadinho. Não gosto de quem mata sonhos com maldade. Quem mata sonhos com maldade deveria ter direito a uma pena de prisão efectiva, sem que para isso precisasse de existir um decreto. Quem mata sonhos por maldade fá-lo devagarinho, ardilosamente, para não ser descoberto. Mata sonhos com maldade quem precisa de alimento. Bem sei que é um mecanismo psicológico importante, tal como o cariz exibicionista da necessidade, e que quem o pratica é também "a vitima". Mas convenhamos, a falta de humildade é danosa para quem vê, mais ainda para quem sente. Perdoo mais facilmente outro tipo de lamentações psíquicas, e isto, reconheço, é já defeito meu. Sou capaz de dar mais crédito ao obsessivo que confirma o gás mil vezes ao dia sem nunca acreditar no que fez, do que ao airoso que se exalta em talentos inquestionáveis. Um bom psicólogo deveria sempre compreender as pessoas e justificá-las ao limite da irracionalidade, independentemente dos rasgos de personalidade que apresentem. Eu por vezes limito-me a observá-las, e isto nos mais diversos domínios e dimensões. É claro que tiro conclusões, a minha limitação tem limites. Como por exemplo, há quem saiba escolher o momento de sair, há quem saiba escolher o momento de chegar, há quem saiba escolher o momento de falar, e com tudo isto diz apenas: Estou aqui, olhem para mim ai de baixo, são todos menores do que eu. A vida é feita de momentos destes. Em que uns iluminados impõem, outros matam, uns compreendem, outros acreditam, outros ainda apenas olham. E amanhã será sempre hoje outra vez.

2 comentários:

  1. Frustrantes estas pescadinhas de rabo na boca que norteiam muitas vidas...

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    1. Frustrantes, claro. E perigosas, que os efeitos são consideráveis, a diversos níveis. Deveríamos nós enquanto seres humanos, já ter conseguido controlar estes e outros defeitos que me parecem eternos? :) Aqui fica uma questão sem resposta. Mesmo que devêssemos, não conseguimos fazê-lo...

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