quarta-feira, 22 de maio de 2013

palavras

O gato espreguiça-se no sofá enquanto duas carraças se passeiam no pêlo amarelo torrado, quase tão torrado como o do sofá. Um velho eleva a bengala e chama nomes a alguém que o acode nas horas aflitas. Esse alguém faz-lhe festas na testa a tentar acalmá-lo, sempre em vão. Perdida, sua perdida, grita-lhe. Outro velho que mal anda, levanta-se e resolve o assunto com duas palavras de mestre: as palavras podem ser uma arma tão boa como uma bengala. Se não forem vãs, podem ser a melhor arma do mundo. 

( São, não me desdigam. Algumas dão-me vida, outras podem matar-me. O gato não enfeita o texto, era a personagem principal, e as carraças comiam-no em silêncio, achei por bem referi-las. Para quem não sabe, são um bicho pequenino que se aloja nos animais e pode ser perigoso para os humanos. Os humanos correm perigos que nem sonham nos sonhos mais monstros. Soubéssemos nós todos, devidamente esmiuçados, e morreríamos só do medo.)  

6 comentários:

  1. Mil carrapatos a duas palavras dessas que nos matam. Não destas de mestre (até adivinho que tenham sido três com o pronome possessivo), essas não matam, apenas põem em sentido.

    (O gato é sempre a personagem central)

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    1. Como adivinhaste, conta-me? :... Ficou tudo em sentido ali, sim, acho que até eu... :))

      (O gato? O gato é sempre importante, sim. Faz parte de todo um cenário, interessantíssimo, que se quiseres te posso explicar melhor.)

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    2. Na verdade não adivinhei. Foi uma menina linda e muito novinha que me disse. Daquelas que não têm medo de carrapatos que lhe sugam tanta doçura. Pronto, já contei :)

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    3. :))

      (Essa menina, novinha segundo dizes, contou-te bem. Eu a ti dava-lhe um beijo de agradecimento...)

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  2. (Já lho vou dar. Não um. Nem só beijos)

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    1. (Então vai depressa, anda. Ela está à tua espera...)

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