quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Enganos

As palavras deveriam ser coisas difíceis de proferir, passíveis até de ficarem entaladas, quando ditas indevidamente, e contrárias ao que se sente. Mas não, que são amenas, mornas e adaptáveis, saindo do nosso corpo com destreza, vindas das bocas que espelham o que se deve dizer, o que se espera, o socialmente correcto, e não o que lhes vai dentro, que de mansinho se guarda. Não que julgue a obrigatoriedade da total partilha, logo eu, absoluta defensora de privacidades, mundos nossos e de mais ninguém, ou então de mais alguém que nos escute, e que queiramos que nos saiba a existência interna. Mas ainda assim, e em determinadas circunstâncias, o embuste disfarçado, e apenas perceptível ao mais atento, deveria ser punido por quem de direito. É que podemos sempre, e em caso de necessidade extrema, utilizar o silêncio ou a omissão, muito mais sensatos e inofensivos. Nem me parece apropriado um castigo por demais punitivo, que somos pecadores, e quanto a isso, não há que se faça. Mas um castigo suficientemente amargo para que na próxima se tome cuidado, e se deixe de proferir baboseiras, que mais não são do que afrontas a quem escuta. Um retrocimento de língua, um aperto de lábios, poderia perfeitamente servir. Nos casos mais graves, um engasgamento forte e assanhado. Quando usam esta arma ilegal comigo, a coisa pode correr mal. Mas engraçado, como pode ser perdoável, que a inteligência é predicado capaz de me encantar, e sou pessoa para quase desculpar quem me tenta enganar com perspicácia. Uma fraqueza, uma rendição. Aliada a uma sensação de vitória, totalmente patética, sei disso, de que a enganada, vai-se a ver, e não sou eu.

1 comentário:

  1. :):):)Fizeste-me lembrar O Mentiroso Compulsivo :):). A mim só me afectaram verdadeiramente, no ego sem dúvida, os enganos do meu ex. Dos outros sinto sempre que a enganada não sou eu :) beijinho

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