sábado, 28 de agosto de 2010

Cara metade

A Fátima Lopes baptizou assim um dos seus livros que nunca li, mas ao qual aprecio o nome. Amar depois de ama-lo será sempre algo de estranho. Sabe o suficiente para sentir com clareza, e para perceber, que aquele amor, para além disso, é só isso mesmo, e como tal pode passar, o tempo pode curar, o vento pode levar, e ela continuará cá. Esse tempo, o da espera que passe, é um tempo inglório pelo qual quase todos passamos, nem que seja uma vez na vida, na tentativa de arrumar num canto da alma, o que mais queríamos manter para sempre, numa luta constante e que mói, pela incongruente e ignóbil tarefa de mandar para longe o que tanto se quer perto. Adiante. Ainda assim, e antevendo a chegada desse tempo, sente possível ser, amar de novo, outro alguém que possa surgir, e preencher aquele espaço que todos ou quase temos, que em épocas de amor julgamos preenchível apenas e só com aquele que amamos, enorme disparate de quem assim se dedica. Não deixa porém a lamentação que lhe acarta a possível perca. Não pela impossibilidade de um novo amor, que como disse, sabe possível, mas pela improbabilidade quase absoluta de encontrar de novo quem queira o mesmo destino, à mesma velocidade, sobre um mesmo chão, e ainda por cima que se ame. É a perca da cara metade, se é que ela existe. Entendo-a.

4 comentários:

  1. Muito bom texto. Entendemo-nos. :) Bjs!
    (P.S. Ainda tens o link antigo ali em baixo, a morada mudou.)

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  2. Tocaste no ponto certo. Naquele que nem sempre queremos ver...que fingimos não saber...
    ;)

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