domingo, 15 de agosto de 2010

Devoluções


Devolveu-me o livro, perguntei-lhe se gostou, e disse-me que sim, com um sim que não me aqueceu nem me arrefeceu. Nem gosto de os emprestar, e quando empresto obras de arte, espero no mínimo alguma emotividade, em quem leu tamanha preciosidade e que a mim tanto me deu. Bem sei que ninguém lê de igual maneira a mesma coisa, bem sei que nos encaixamos, projectamos, e lê-mos cada um o que quisermos ler, é a magia da subjectividade, latente nas palavras, que se julgam objectivas, mas que em nada o são. Ainda assim, existem obras de arte, que a serem lidas, seja por quem for, merecem respeito. Quando empresto livros levo muito menos a mal um franco não gostei, não encaixei, ou desisti a meio, que somos livres de fazê-lo, também eu já o fiz, do que um gostei muito, que não sabe a nada. Aposto que se lhe perguntasse, qual o conto que mais gostou, me olharia de olhar empedernido e encolheria os ombros sem saber que dizer-me. Fiquei irritada, e com a minha pouca vontade em emprestar livros, ainda mais diminuída. Parece que ninguém percebe, que os empresto de coração nas mãos.

4 comentários:

  1. Sou como tu. São as minhas preciosidades e odeio que me devolvam com capa riscada, dobrada, suja.. enfins!! :) *

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  2. Eu fui perdendo uns quantos ao longo da vida, e ainda me lembro de quais...

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  3. Sinceridade acima de tudo. É o mínimo que se pode pedir.

    E as férias como estão a correr?

    bjs

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  4. Sandra só amanha vou até à praia. Mas estão a correr bem, felizmente :)

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