sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Educação

De facto a crença em algo tem um poder infinito. Ou quase, pronto, que palavras fortes, nem me são aprazíveis. Lembro-me, no decorrer da conversa sobre atitude, da Drª Helena Marujo, da qual já por cá falei. Pioneira da Psicologia Positiva no nosso País, muito tem feito para animar as escolas, e para dotar as nossas crianças de atitudes positivas e proactivas, tão em desuso as temos por cá. O investimento parece quase fácil, mas julgo-o deveras ambicioso. Porque mexe com mentes, e as mentes do nosso País são negativas, admitindo as excepções, com pena minha. Continua fácil, encontrar um professor destrutivo, em detrimento de um construtivo, é mais frequente surgir a crítica do que o elogio, e é mais fácil à criança acreditar no que é mau, do que no que é bom, consequência destes meandros intrínsecos da sociedade, pelo que as mentalidades vão avançando assim. Quebrar, parecer-me-ia palavra de ordem, mas muito tem de ser feito. Nem sequer é um muito difícil, ou impossível em si, mas é um muito que necessita de investimento, empenho e crença em quem temos na frente, e pressupõe mudanças de fundo. O mote da conversa, foi, como não podia deixar de ser, as novas medidas propostas pela nossa Ministra da Educação, que fala da ausência de chumbos como uma possível solução ao insucesso, assunto que me interessa em demasia, ou não fora eu da área, é bem que diga. Já me apercebi de inúmeras críticas, mais ou menos fundamentadas. As medidas são ambiciosas, como têm ser ser, para objectivos ambiciosos também eles. Mas a ambição, se não desmedida, pode ser uma mais valia, constituindo muitas vezes o único caminho. As adaptações a serem feitas são mais do que muitas, mas não impossíveis. O processo é moroso, não sabemos se eficaz, mas as esperadas melhoras seriam benvindas, e parecem-me ideias sustentadas e não descabidas. Como sempre, estamos também aqui, perante a tradicional visão negativa que acarta por norma a mudança, na qual temos poder, mas quase esquecido, como se ele, de nada valesse. Sempre se chumbou, o que é isso de agora deixar de se chumbar? Que fazer aos alunos que não atingem os objectivos e são mestres de indisciplina? Parecia-me prudente inverter o discurso. E pensar, por exemplo, que uma criança investida e pensada na sua problemática particular tem outras pernas para andar, e porque não, outra vontade em fazê-lo. E que o único objectivo, o sucesso, pode incentivar percursos até então desinvestidos, que acreditando nele, temos o tal do meio caminho andado. E que se cresce melhor com o avanço, e com o vamos seguir em frente, admitindo e considerando as devidas ajudas, do que repetindo processos, às vezes já massacrados, porque os objectivos não foram atingidos.
Mas isto são apenas pareceres. Os meus pareceres.

3 comentários:

  1. Pois...ora aí está um assunto que não pode, de forma nenhuma, ser debatido pela rama. Incentivos positivos são fundamentais, um ego bem construído é a base de qualquer educação. No que eu não acredito é que as passagens gerais contribuam para isso. Nem sequer me parece justo tratar da mesma maneira quem trabalha e quem não o faz, e isso existe e é um facto. Tenho lá uma criança que, não tendo feito o mínimo, mas o mínimo esforço para aprender fosse o que fosse (e atenção que não lhe faltaram incentivos positivos, que ele de baixa auto-estima não tem absolutamente nada, só gosta é mais de brincar...), e que estava convencido que a professora, porque gosta muito dele, o passaria apesar de tudo.Fez-lhe muito bem ficar retido. Acordou para a vida e estou certa que este próximo ano será, para ele, muito mais proveitoso do que o anterior. Aprendeu que a vida requer esforço e isso é bom. Facilitismos não preparam ninguém para sobreviver neste mundo. Talvez num outro qualquer...

    ResponderEliminar
  2. Aqui em casa existem os seguintes lemas:

    - "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti"
    - "O céu é o limite"
    - "Para cada ideia negativa, tem de existir duas positivas!"
    - "As pessoas de idade são sábias e devem ser encaradas como tal e não como "velhos" no ãmbito negativo da palavra"

    E isto é uma forma de estar natural que começa já a mostrar frutos, principalmente na I.

    Penso que a mudaça de mentalidades tem de começar em casa dos pais para os filhos e incutir determinados valores sociais e pessoais que os façam progredir positivamente na vida, tendo sempre em atenção ao respeito ao próximo.
    :)

    ResponderEliminar
  3. Eu já conheci adolescentes de 14 anos na 4ª classe que mal sabiam ler e escrever. Não faço ideia de qual foi o percurso que os levou ali mas seja qual for um aluno assim não pode passar de ano por passar, sempre, sem restrições. Não o vai ajudar e vai prejudicar os outros. Turmas muito desequilibradas ao nível dos conhecimentos é do pior que se possa imaginar!

    ResponderEliminar

Deixar um sorriso...

Seguidores