segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ele e elas

Saem de casa manhã cedo, e ela está lá. Não em casa, que aí, a presença física resume-se aos quatro, mas de fora, mesmo na porta ali ao lado. E pior ainda, também por dentro, perdida no corpo que lhe tinha jurado amor para todo o sempre, para agora olhar de soslaio para a moça, ainda gaiata, que lhe calhou em vizinhança. Não raras vezes, da janela da sala, encontra-a a espreitar por entre as cortinas, para de imediato fugir ao perceber que quem ali está, não é ele, mas sim ela. Naquele dia chegou a crer, e por mais algum tempo também. Vestida de branco, e perante os olhos das gentes, proferiu e ouviu da boca do seu amor as preces devotas do matrimónio. A jura da companhia, na saúde e na doença, à qual o Padre rematou, e bem, que "o homem não separe o que Deus juntou." Esse ajuntamento era ele e era ela, que se depositou nele para todo o sempre, encaixando o seu rosto em suas mãos, como se de uma fusão se tratasse. Nem bem sabe o que ele sentia, que aos Homens, os sentimentos ficam-se no revés, pelo menos aos com H grande, que aos outros, de h mais pequenino, é-lhes permitido tudo, até o choro. Ainda assim, julgava mutuo. Não lhe cabia na cabeça, ou até no coração, que aquele magno sentimento pudesse ser só de um lado, até porque, nem crê em unilateralidades, incapazes de fazer crescer a essência pura de um amor a dois.

Nasceram crianças. Primeiro ele, depois ela, e ao invés de a descêndencia abençoar a união, tal e qual o Prior tinha apregoado no altar, deixo-os num amor sem sustento, não dela, mas dele. Para ela, ao invés, a dimensão aguçou-lhe as entranhas do sangue que lhe corria nas veias, e unificou em si toda a grandiosidade dos momentos. Julga porém que ele não foi capaz. E diz-me então em abono dele, que o seu grande corpo não conseguiu absorver tal imensidão, pelo que se ficou no frívolo e no frágil , pela incapacidade de mais. "Nós, somos pequenas por fora, mas grandes por dentro. Eles não sentem com nós. Não porque não querem, mas porque não conseguem."


Debrucei-me na conclusão efémera de quem sente que lhe foge o amor. Centra-se na incapacidade dele para lhe perdoar os desaires, e excluí-se automaticamente de culpas. Um bálsamo interno abrangente, que só pode fazer milagres.

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