domingo, 3 de abril de 2011

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Oiço-a com um gosto aguçado pelo que me fala, que trata um sentimento sublime, uma nobreza inigualável. Segura-o nos braços, pequeno, calmo, apenas com meses, e nasceu-lhe aos quarenta. Diz ela que carrega naquele pequenino corpo uma família, que lhe ronda a existência, lhe acolhe os sorrisos, o segura e o ampara. Nos meandros dos golpes da vida, o pequeno, na ingenuidade dos seus minúsculos olhos verdes, nem bem enxerga a sua importância, fosse ele a saber, fosse ele a consciencializar a dimensão, e sentir-se-ia por certo no centro do mundo, lugar onde de resto, todos os bebés deveriam estar. E diz-me então que foi mãe na hora certa, que a ter sido mais cedo, por certo a calma que lhe domina a existência, nem teria ainda construída, que é necessário tempo para que nos cresça cá dentro. Faz parte de uma das grandezas da vida, e quiçá por isso, foge-nos a toda a hora, fossemos nós detentores de lhe chegar sem esforço, e tudo nos seria mais fácil. Julga ainda, que essa calma dela o atinge a ele, e o deixam na pele de um bebé doce e risonho, que ouve em sons baixos o que a mãe lhe quer dizer. Nem me apraz por cá dissertar sobre idades certas ou idades erradas, que a ter em conta o relógio biológico da mulher, deparamos-nos com uma abrangência significativa dentro da qual nos poderemos reger, e como tal, cada uma deverá escolher a, ou as idades certas para si. Ainda assim, e logo após apanhar, por coincidência, um programa alusivo ao tema, com opiniões diversificadas, reiterei o que há muito já sinto, e que trata o facto de julgar a serenidade mais tardia, uma mais valia à maternidade. Não quero com isto dizer, que as vantagens das idades mais precoces, nem existam, que existem, e são imensas, pelo que nem me perco a enumera-las, eu, que tão bem as conheço. Julgo apenas que quem é mãe tardiamente, nada perde em termos de sentimentos, evolução e reciprocidade.


Qualquer dia, ainda sou mãe aos quarenta. Depois então, vou mesmo saber do que falo.

2 comentários:

  1. Perde depois no acompanhamento da idade mais difíci :) É que, muitas vezes, a idade traz paciência porque leva força...
    Já dei por mim a pensar que isto, afinal, talvez não esteja assim tão bem feito. Nós devíamos poder "estroinar" tudo enquanto novos e só a partir de uma determinada idade - que seria a idade da sensatez - é que passaríamos às responsabilidades. Seria a idade em que, finalmente, decidiríamos o que queremos ser na vida; a idade em que decidiríamos com quem é que queremos partilhar a vida, se é que o queremos seja com quem for...; a idade em que os filhos nasceriam.
    E depois viveríamos até aos 150, sendo que aos 100 estaríamos na força da idade :)
    Assim é que deveria ser. Tu não achas?

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  2. Antígona, acho isso exactamente. O nosso corpo tem um estranho funcionamento, desadequado à vida actual. Deveríamos isso mesmo, começar a vida séria mais tarde, e poder prolongá-la até cumprirmos a nossa missão. Quem sabe um dia seremos "vítimas" de uma mudança genética que a isso nos possibilite. Não nos apanha. Tenho pena, que merecíamos:):)

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