sábado, 28 de julho de 2012

Magias

É simples... Umas nádegas são somente a parte acima de umas pernas, que não são mais do que dois pedaços de carne que fazem com que nos seja possível andar. Umas mãos são uma ferramenta magnífica no ofício da vida, que permitem zelar por nós próprios e pelos outros. Uma boca é uma abertura no corpo pela qual colocamos alimentos que permitem que nos mantenhamos vivos. A língua serve para falar. As palavras não são mais do que um meio de comunicação e fonte de entendimento entre humanos. Os seios são um local de alimento para todos os animais mamíferos. Sem eles não havia vida. Um ombro trata um sítio no corpo de um outro alguém. Ou no nosso. Tal como dois braços, ou quaisquer outros membros. Uma árvore é um simples pedaço de mundo com folhas e frutos necessários à nossa subsistência, entre outras virtudes práticas, e o mar, por exemplo, permite com que possamos continuar a ser gente, bem como os animais, as flores e toda a diversidade da natureza. Um cozido à Portuguesa é um conjunto de géneros alimentícios que fazem com que a fome passe e depressa. Como uma açorda, como o feijão ou o grão. Uma almofada serve para descansarmos, bem como uma cama, um sofá, um chão, e todos os locais onde nos possamos deitar. Deitar, por exemplo, serve para dormir e repousar o corpo. A família serve para gerar, para criar e amparar. Uma igreja serve para rezar, bem como uma mesquita ou qualquer local onde o silêncio nos deixe à mercê da entrega. Uns sapatos são qualquer coisa simples que nos protegem os pés dos caminhos, e uma mala um mero utensílio onde guardamos coisas das quais precisamos todos os dias e por várias vezes. Um café acorda-nos, um chá sossega-nos. Uma varanda refresca, um lume aquece e alumia. Uma manta leva-nos o frio. O vento varre-nos as ruas. A chuva humedece os terrenos e os rios, rega os campos, dá-nos água. O cérebro raciocina, o sangue transporta, o coração manda. O estômago separa para a posterior limpeza do corpo, que deverá em coerência funcionar. Os homens e as mulheres servem para se complementarem, tais como todos os outros animais existentes na terra.
E depois somos o resto... Posso pegar por mil, pego meia dúzia, dos que falei ou quaisquer outros. Um cozido à Portuguesa não me mata só a fome, mata-me a gula. O mar serve-me muito além da manutenção do meu corpo, e uns sapatos não só me protegem como me envaidecem. Engrandecem-me, compõem-me. Um ombro pode ser só mesmo um ombro ou pode ser muito mais do que um ombro, e umas mãos podem ser tudo ou podem não ser nada. Um livro pode ensinar-me a ler e a escrever como forma de comunicação, ou pode ensinar-me a viver, a imaginar e a sonhar. Um sonho pode não ser só uma projecção e ser uma forma de vida. Uma vida pode ser  só vivida, ou pode ser uma existência real. Um velho para além de um termo pode ser uma dádiva, e um amor interrompido pode não ser um fim, mas sim um caminho.

7 comentários:

  1. E assim continuamos num mundo de possibilidades :):):) Beijinho

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  2. Fabuloso. Continue a escrever, é sempre um prazer parar neste espaço.

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  3. Antígona, é mesmo.

    Carla, obrigado pela gentileza. Venha sempre, que será sempre bem vinda...

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  4. Confesso que fiz auto-censura: o texto é muito bom, verdadeiro e não se compadece com "brincadeirinhas"... :)

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  5. Paulo, a vida exige-nos que sejamos sérios com ela. Sorrisos para ti :)

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