terça-feira, 10 de julho de 2012

Bosão de Higgs

No cerne da discussão estava a descoberta da partícula de Deus. Enfim, a possível descoberta, que as certezas segundo consta ainda estão para vir, não se sabendo quantas ou quando.
Os filósofos debruçam-se sobre as teorias da descoberta, assumem uma existência paralela e possível entre Deus e a ciência, falam uma língua muito próxima da que eu conheço. Ainda assim, fiquei ofendida. Bem sei não haver lugares para mais, mas faltou-me o sentir. Tínhamos a razão e o pensamento mas o mundo não é só isso. A partícula que segundo consta será a base de todas as coisas, o pensamento abstracto e filosófico, que nos explica o que a ciência nas suas limitações não consegue comprovar experimentalmente, dão-nos uma visão muito abrangente do mundo, mas que só é possível imersa no nosso sentimento. Estou habituada a que seja desvalorizado. Nem sequer ponho em verdadeira questão a ausência dele nas discussões, digo ficar ofendida por mera brincadeira. Mas ainda assim julgo que me cabe por exemplo a mim, como caberá a tantos outros, exaltar o nosso sentido como parte integrante da história e da evolução do Homem. Não entra em choque com nenhuma ciência ou dogma da existência, introduz apenas a nossa capacidade de existir no mundo tal e qual ele é, conectados com as visões diversas que se afiguram possíveis, experimentadas, ou apenas credíveis.
Valorizo imenso estas descobertas. Permitem explicações diversas nos mais variados domínios que possivelmente nos permitirão o avanço em novos caminhos e em outras direcções. Novas possibilidades, novas ambições. Mas e agora pergunto, haverá também a consciência, se a dimensão do nosso interior, cônscio ou mais incônscio, aguenta os embates a que a ciência nos sujeita todos os dias? Estará ele capacitado a resistir enormemente às alterações que advém do aprofundamento da sabedoria cientifica, e suas consequências? Será então eventualmente mais segura a epistemologia, enquanto filosofia do conhecimento? Poderão elas efectivamente coexistir em conjunto, em explicação complementar das limitações de cada uma? E conseguiremos nós, seres que vivem e que sentem interna e exteriormente, fazer essa junção de forma saudável e evolutiva, ou, e ao invés, caminharemos para um caos existencial por incapacidade de adaptação capaz?
A nossa vivência no mundo enquanto matéria parece-me, e de acordo com o que conheço, a base de onde efectivamente deveremos partir. Enquadrá-la no pensamento e nas explicações que precisamos de ter será eventualmente o passo seguinte. Como existimos enquanto seres pensantes e intelectuais, talvez seja uma grandeza transversal a ambas que não devemos nunca descurar, sob pena de incorrermos em riscos maiores do que aqueles que conseguimos suportar.

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