domingo, 9 de janeiro de 2011

Esquecimentos

Oiço-te ao longe. Sem te olhar os olhos, pela impossibilidade da distância, sinto-lhe as lágrimas, quase parece, que as vejo escorrer no teu rosto, magro e cansado, fustigado, talvez seja o melhor termo. Por vezes, chego a esquecê-lo. Poderá tal facto nem parecer coerente, poderá até constituir admiração aos caros leitores que por cá passam, mas a verdade, é que me esqueço com facilidade de rostos. Não todos, mas alguns deles, nem me parecendo a mim haver, um critério definido para tal facto, surge a situação, de nada em concreto, podendo emergir ligada a gentes novas, que me cruzam o caminho umas poucas vezes, o que até consigo encaixar na normalidade, ou, em outras situações, em gente que conheço há muito, mas que por motivos diversos, abalam para longe, deixando-me apenas e só uma memória desenhada. Memória essa que pode ser forte, ou pode ser fraca, constituição que adquire, quiçá, aleatoriamente, que já quase esqueci caras importantes, para me lembrar, com grande detalhe, de caras fugitivas, que cruzei em determinado contexto, e que não mais se apagaram. Não que me esqueça por completo. Consigo relembrar pormenores, ou então, contrariamente, por vezes o todo, falhando-me as partes, como a cor dos olhos, a tez da pele. Gostaria de atingir a supremacia da selecção, ou seja, conseguir um qualquer mecanismo interno, que eu adaptasse a esta minha faculdade, e que me permitisse um encaixe perfeito e coerente, extensível até, e porque não, a todas as outras particularidades da minha memória. Lembraria isto, esqueceria aquilo, enfim, um deleite de emoções deliberadas apenas por mim e pela minha vontade, estando certa de que te lembraria até ao mais ínfimo pormenor. Outros que por cá tenho, não tinha.

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