sábado, 22 de janeiro de 2011

Géneros

Nem sou por aí além, amante de generalizações. Admito determinadas características como mais usuais num género ou no outro, admitindo também, as devidas excepções. Ainda assim, conheço muitos membros da espécie masculina, no preparo que passo a descrever, pelo que quase considero, ser um distintivo inato, genético, natural, enfim, o que queiram chamar-lhe. Dão, com elevada frequência, uma no cravo outra na ferradura, e ali permanecem, expectantes e crentes de que a que deram no cravo, é muito mais poderosa do que a que acertou na ferradura, facto pelo qual, sempre esperam, que o mulherio perdoe o lado lunar, dado que o solar é de uma dimensão muito mais forte e poderosa. Passo a explicar. O lado solar pode até ser um resquício de nada, um pormenor furtivo, uma ninharia entorpecida, mas ainda assim, e porque a força é de tal ordem, espera-se que essa vertente escondida, a surgir, engula tudo o resto que emerge do lado negro, todos os maus humores, todos os acessos de zanga, todas as tardes de cerveja e tremoço, todas as noites de zapping. Irrita-me constatar que estão terrívelmente certos. A culpa, é declaradamente nossa, que ainda hoje, pós revoluções, alforrias, emancipações e afins, continuamos a assemelhar-nos a algo brando e frágil, que após um dia de tumulto, uma semana, o que for, conseguimos sorrir de novo apenas e só com uma rosa, ou qualquer outra causa de valor semelhante. É a vida, somos assim.
Depreende-se, e numa teoria lógica da evolução das espécies, que vocês mais não fizeram do que uma adaptação, tal qual Stephen Jay Gould refere no Polegar do Panda ( que só num aparte, que nem vem ao caso, aconselho vivamente). Ainda assim, ouso dizer-vos, que fica mal esse aproveitamento da fraqueza alheia, esse uso e abuso do vosso charme abençoado, que nos acerta certeiro, exactamente, onde nos encontramos em falso. Nós, pobres de Cristo, somos então transformadas em vítimas de uma atrocidade desmedida, à qual chamamos nomes ténues, mas que não é mais nem menos, do que manipulação.
E escusem-se senhoras, a proferir em alta voz, que não fazem parte desta estirpe, que das duas uma, ou mentem, coisa que me parece completamente ridícula, tendo em conta a dignidade das leitoras que por cá passam, ou são a excepção que confirma a regra, excepção essa que deve ser tão, mas tão escassa, que seria um grande apanágio da sorte, serem exactamente vocês a sê-la.
A vós, caros leitores do género masculino, acredito piamente que fazem parte daquele grupo restrito que não usam e abusam da nossa humilde fraqueza. Que são dignos ao ponto de nos tratarem apenas e só com distinção, e que qualquer semelhança do vosso comportamento, com o que atrás descrevo, é mera coincidência. Fico feliz por isso.

4 comentários:

  1. Continuo a dizer que a "culpa" é dos livros da cinderela, branca de neve e afins que desde sempre cultivaram a ideia de principe encantando
    não em tarefas domésticas, mas envoltos num véu de beleza e....e....salvam a donzela de alguma maldade ....se formos a ver bem...que mais fazem eles nessas histórias?? as personagens femininas sofrem sempre maldades, agressões, sacrificam-se....bem nem me vou "esticar" mais...nunca contei essas histórias à I....
    :)

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  2. Não querendo discordar apenas afirmo que nem sempre é assim, e ainda bem, se bem que a forma descrita (como sempre a merecer apaluso)tenha os seus encantos :):)

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  3. Epá! alguns nem se dão ao trabalho da rosa...
    Mas o que me parece ser o pior de tudo isso é o contágio que esse comportamento pode, ao longo dos anos, ir exercendo sobre nós, as mulheres. A dada altura, vira-se o feitiço contra o feiticeiro sendo que, muitas das vezes, nem sequer o feitiçeiro é o mesmo...
    Toma lá sorriso :):):):)

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  4. :):) Aos três. Sputnick, eu sei que tu não és desses :):)

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