quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Admirações

Admito questões de mau feitio congénito, ou quiçá, algum recalcamento, aliado ao que a seguir descrevo. Mas confesso que não simpatizo nada, com o facto de me dizerem que admiram, quem, tal como eu, tem paciência para aturar velhos. Como se fosse, nem sei bem, uma qualquer dotação que uns temos e outros não, isto porque ninguém os suporta. Aos velhos, claro. Neste mundo e a bem ser, deveríamos todos admirar-nos uns aos outros. Eu por exemplo, também deveria admirar o carteiro que me admira a paciência, e que se passeia todos os dias na sua mota, faça chuva ou sol, a distribuir cartas e a entrar dentro das casas ou sítios onde pode, a fim de tecer considerações forçadas, que julga enaltecerem-lhe a imagem. Mas de facto, tenho de admitir que não admiro.

1 comentário:

  1. Partilho contigo uma frase de Agostinho da Silva:

    "A acção só vale quando é feita como um exercício, e um exercício com amor, quando é feita como uma ascese, e uma ascese por amor de que se liberte o Deus que em nós reside. E se a acção implica amargura, o que há a fazer é mudar de campo: porque não é a acção que estará errada, mas nós próprios."

    Acho que o que provoca espanto nos outros é quando encontram alguém que faz algo com amor, quando eles próprios se amarguram no dia a dia.
    Quem é feliz e põe amor naquilo que faz, admira-se a si próprio e isso sim faz todo o sentido, não presunçosamente, mas com a consciência de auto-realização.

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