domingo, 2 de outubro de 2011

Freud

Li-lhe a Psicopatologia da Vida Quotidiana, a Interpretação dos Sonhos, a Teoria da Sexualidade. Todos eles rebuscados, subjugados a uma vertente profundamente psicanalítica, apaixonante para alguns, excessiva para outros. Detenho algumas das suas obras, e já as li segunda vez, porque acabam por me remeter para acontecimentos que ali explico e justifico, não constituindo porém a linha base onde trabalho. Não conhecia a existências das cartas de amor entre ele e a sua mulher, enquanto noivos, agora descobertas e prestes a serem publicadas em livro, onde parecem surgir algumas fragilidades sérias, aliadas ao mago do Inconsciente. Nem constitui este facto estranheza, que os mestres, todos eles, ainda que grandes, não deixam de ser gente. Mas não deixa de ser interessante o efeito de choque que nos trás essa descoberta. Enquanto pessoas, críticos, apaixonados pela arte, ou por qualquer outra grandeza terrena, ganhamos simpatias, ilusões, criamos gente que colocamos em algum local bem visível, ao qual acedemos de quando em vez, a fim de encontrarmos qualidades que gostamos, quiçá, que ambicionamos. Classificamos estas pessoas numa esfera onde a falha não tem grande cabimento, e onde tudo nos parece fluir, ou porque ela canta, ou porque pensa, ou porque inventa, ou simplesmente, porque gostamos dela. Uma necessidade que temos, que nos permite alguma idealização da perfeição, necessária para que caminhemos, vivamos, cresçamos. Por vezes, e ao longo do caminho, vamos invertendo os ídolos e as grandezas, de acordo com o nosso patamar de existência, mas nunca deixamos de admirar. Já extrapolei para além de Freud, mas foi para onde me remeteu a leitura, encontrada no Público de ontem, e que vale a pena, para os interessados. Não que eu o considere, e levando a linha que atrás refiro, excepcional. Devo-lhe o respeito pelas teorias que criou, com as quais tenho alguma simpatia, nada mais. Ainda assim, não o fazia inseguro, ciumento, enfim. Uma série de fenómenos internos que povoam o inconsciente do Mundo. Até o de Freud, que o conhecia como ninguém.

1 comentário:

  1. Provavelmente foi a desordem interna que lhe permitiu ter acesso a grande parte do conhecimento :) Fizeste-me lembrar Pessoa e as cartas de amor "ridículas" que chegou a escrever. Tão ridículas que até custa a crer que sejam dele, mas são :)

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