domingo, 30 de outubro de 2011

Livros

Encontrei hoje uma livraria com livros em promoção. Adquiri os Maias, em versão de dois volumes, e o diálogo com a morte, de Marie De Hennezel. Os três por 11 euros, pelo que julgo poder dizer, que se tratou de um achado. Tenho andado a rebuscar temas para um trabalho importante, e a morte não está excluída. Ainda assim, não se trata da minha primeira escolha, sendo que só lá chegarei, se me defrontar com impossibilidades no caminho. Nunca li o livro, mas sei tratar-se de um livro escrito por alguém que lida com a morte de perto, e que ajuda a morrer, o que não é coisa fácil. Esperar ao lado de quem vai partir, e estar frente a frente com a realidade, já fraca, de quem vai perder a vida, dói. É um desperdício de tempo, sentem muitos, que não se julgam capazes de tal tarefa, mesmo que em contextos pessoais. Da experiência que tenho, assisto por vezes a pessoas chegadas, que não conseguem viver de perto estes momentos, com quem lhe é próximo. Não falo obviamente das mortes precoces, dolorosas, inesperadas, e por vezes prolongadas, onde todos parecem surgir, e onde a coragem parece renascer em cada passo. Falo daquelas de fim de vida. Como se essas, de tão óbvias, não nos merecessem atenção. Como se os velhos fossem mais fortes, e o medo, já não lhes entrasse pelos meandros do corpo. Confesso que me repugnam estas situações. Morre-se mal, na generalidade dos fins da vida. Morre-se sozinho, muitas das vezes doente. Estava na hora, chega a dizer quem fica. Estava, pode ser. Mas a hora sozinha é por certo pior do que a hora acompanhada, que somos seres relacionais, sentimos conforto na interacção. Sinto por vezes desdém em alguns olhos quando falo dela, olhos que me vêm com ar de indignação, julgando-me um tanto ou quanto louca, apenas porque a vejo de perto. Trata apenas e só uma negação de cada um, uma protecção, tenho para mim, daquelas que como tantas outras, não nos tiram a realidade, mas a capacidade de lidar com ela. Vou começar a lê-lo já. Entre outros necessários, mas já.

3 comentários:

  1. A morte dos velhos é um tem de ser doloroso. É um corpo engelhado, manchado onde habitam medos como os nossos. Gostei muito, muito deste seu texto!

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  2. Tenho "A Arte de Morrer" da mesma autora. Se quiseres levo-te... Um tema difícil mas que me é tão querido...beijinho mana* C.

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