quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Acasos?


A bipolaridade intercala euforias e tristezas, mas por vezes penso que será sensato, mesmo que soe a estranho, encaixá-la em outros domínios, por ventura abusando de uma denominação muito forte. Poderá constituir estados de espírito opostos, sem a alegria extrema, e até, quiçá, sem a tristeza doente. Nesses desígnios pode sentir-se por exemplo a calma absoluta, ou até um cansaço, ainda que composto por rasgos de vida eufórica marcada por vontades explícitas, quase incontroláveis, como se do corpo nos saíssem pulsões que queremos guardar em vão. Em vão, em vão talvez não seja, que as resguardamos ao menos aos olhos circundantes. Escapam-se apenas por poucas palavras, por gestos banais, por pequenos nadas que mais ninguém lê a não ser o próprio, quando este se compreende. Deve ser um pavor não compreender os sinais do corpo, ou então não acreditá-los e considerar simplesmente serem meros acasos. Nada do que fazemos é por acaso, sendo esta continuidade de acção que nos torna individuais. Nunca me convencerei de que uma esquina num caminho, é igual à mesma esquina no caminho de um outro corpo, isto apenas a título de exemplo. Interessante esta pertença entre nós e as coisas ou entre nós e os outros, que traduz uma atribuição única e intransmissível. Extensível ainda ao domínio do tempo e da nossa evolução.

( O meu corpo tem coisas diversas que aprazeria imenso que fossem acasos. Não são, sei disso perfeitamente. Nada é por acaso.)

4 comentários:

  1. Por favor, explica isso como se eu tivesse 7 (ou 17) anos.

    (foi como me senti depois de ler)

    Buááá! :)

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  2. bem, podemos dizer que aqui se aplica a teoria do caos? ou como diz o Palma - no hemisfério sul um mosquito deu às asas...

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  3. Sputnick, não será caos. Mas são sentimentos, o que bem vistas as coisas...

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