quinta-feira, 2 de agosto de 2012

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Oiço e estanco perante coisas do género, fui para psicologia para compreender o comportamento humano. Percebo que alguns o digam, eu própria já o fiz à boca cheia, profundamente crente na barbaridade que me saia da boca a fazer todo o sentido. Mas passou-me com o tempo, juntamente com outras realidades e verdades que engoli, responsáveis por desilusões consideráveis às quais me sujeitei por ignorância. É por isso que nem me afronta o ego em demasia tais palavras nascidas da boca dos jovens, dos universitários, dos recém licenciados carregados de crenças e de ambição da boa, espicaçados por uma vontade que é qualquer coisa bonita de se ver. De resto, e numa primeira instância, posso até considerar de proveito esta presunção que todos temos algures na vida,  uma vez que é ela que nos impulsiona enquanto a estaleca germina e se torna capaz de nos orientar o rumo. O que me perturba é a pretensão dos avançados, dos que estão fartos de se embrenhar nos meandros do inconsciente e que ainda assim se acham capazes de compreender o que não tem compreensão. No máximo são esperadas tentativas, ora frutíferas, ora longe disso, que fazem com que em cada dia algumas, ainda que poucas coisas, comecem a fazer sentido. É que nisto das palavras deveríamos ter mais cuidado. Temos por hábito dizê-las de forma absurda só porque nos soam bem, o que é um risco para a nosso compromisso profissional. É que há coisas que soam bem, mas que não são possíveis. Há muitas coisas que soam bem e que na prática não são possíveis. Isto de que falo, é só uma delas.

8 comentários:

  1. :)As pessoas dizem cada uma - muitas certezas têm, da boca para fora. Perfeitamente fora da realidade.

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  2. Deveria ser obrigatória a intenção de aliviar o sofrimento alheio para todos aqueles que se candidatassem a áreas relacionadas com os cuidados humanos.

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  3. Isso, Antígona, ai está o cerne...

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  4. Perdoa-me, Carla, mas tenho uma condescência plácida para com este tipo de afirmações. É a tal petulância dos vinte e não só. Um jurista vai para Direito para fazer Justiça; um arquicteto para exercitar a estética harmónica do meio ambiente; um engenheiro para levar ao limite a plasticidade dos materiais; um economista para aprender a ganhar dinheiro... Que bonito... para quê e por quê cortar cerce as ambições, a cada momento, das suas vidas...? :)

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  5. Paulo direito nenhum de facto. Mas no campo em que trabalho existem afirmações abusivas, apenas porque não são possíveis. Tentamos, e isso todos os dias. Mas nunca lá chegamos, isso te garanto eu. :)

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  6. Eu sei, Carla. Mas em todas as outras profissões que mencionei, nenhum dos desideratos referidos é possível. Contudo, qualquer um deles está mais bem preparado para chegar mais próximo do que quem não tem essas habilitações e subsequentes experiências. Verdade...? :)

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  7. Verdade, não há como contrapor. Aqui, confesso, assume-se com questões pessoais e profissionais ao mesmo tempos, que convergem dentro de mim e às vezes fazem fumo. :)

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