segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Vingança, ou de como às vezes, seria melhor outro caminho

Por norma, fujo dela, por mal que me façam, por sofrimento que me inflijam. Nem será o facto de ser melhor ou não do que os que dela se valem, não me cabendo sequer a mim, ajuizar o certo ou o errado de determinada reacção, que a sê-lo, certa ou errada, diga-se, fica apenas e só com quem a pratica, tal e qual ficou o acto inicial, que serviu de móbil ao desforro. Encaro este meu acto como uma protecção, que digam-me o que me disserem, mas a meu ver, a vingança mais não faz do que acartar-nos um conjunto significativo de maus sentimentos, que muitas das vezes, para além do alvo, nos atingem a nós, de uma forma certeira e poderosa, sem sequer nos darmos conta. Julgo até poder dizer, que será possível atingir-nos mais a nós, do que a quem se direccionava, sendo que nela se incute um empenho exacerbado, no que se considera ser ofensivo a quem tão mal nos tratou, e bem vistas as coisas, a ofensa pode nem se revelar assim tão efectiva, sendo que nós, ao invés de nos protegermos de quem por maldade nos atingiu, concentramos forças e energias, com quem nada disso merece.
Ainda assim, ela fala-me em justiça, como se das mãos dela, simples pessoa, frágil e indefesa, pudesse sair algo capaz de punir quem tanto mal lhe fez, que se há quem de facto merece vingança, ele, é por certo uma dessas gentes. Porém, olhando-a nos olhos, o que mais me apraz dizer-lhe, é que arrume para sempre aquele alguém, a fim de ser possível armazenar o sentimento de revolta que lhe rasga o rosto, sofrido e velho, que quanto mais afronta o inimigo, mais se perturba. E vive assim, num vai vem de emoções fortes e sem fim, em que hoje se dá, para amanha se receber em dobro, num processo lento e penoso, que a ele, pouco tira, e a ela, pouco dá. Ou melhor, dar, dá, em revolta e em indignação, pelo pouco que se consegue, e pelo muito que se desgasta. Tenho para mim que não vale a pena. Sei porém, que por vezes, não lhe conseguimos escapar. É assim como que um caminho que se insurge, à revelia do nosso entendimento, que sapiente do perigo que corre, talvez até lhe fugisse. Serão por certo as pulsões internas, as responsáveis por isto, entre outras coisas que acartam. Às vezes gosto delas, mas tenho dias em que as abomino, confesso.

1 comentário:

  1. :):):):) (Faz de conta que enchi este espacinho de sorrisos :):):)).
    Gostei tanto deste texto :)

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