sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Retornos...

Hoje, pela manha, passo por uma senhora. O lenço na cabeça, deixa adivinhar uma falta de cabelo considerável, isto se ele ainda existir. O ar, sereno, calmo; passo tranquilo e regular. Não consigo exercer a minha habitual invasão de mentes. Não consigo dimensionar o que sente, tal deverá ser a devastação. Isto de entrar em mentes alheias, com alguma fidedignidade, exige que já se tenham experimentado diversos tipos de sentimentos. A fim de catalogar, de perceber. Quando nos é de todo estranho, não é possível.
Mas adiante. O certo, é que a Senhora me fez recordar episódios da minha vinha. É inevitável, quando vejo alguém fustigado por uma das mais temíveis das doenças, relembrar-me o que vivi ao lado da minha querida avó.
Ainda não falei dela por cá, porque não consigo, e ainda não é hoje que o vou fazer. Mas vou falar do IPO. Um sítio que reacende a importância do sorriso.

Frequentei o IPO de Lisboa, como acompanhante. Estudava na faculdade, e era eu a mais próxima, sendo que, as tarefas de acompanhamento eram deixadas a meu cargo.
Admiro, do coração as gentes que por lá trabalham. Nunca, em mais nenhum lado, encontrei pessoas tão dadas, tão disponíveis, tão prontas. Todas, desde as Recepcionistas, ás Enfermeiras, aos Médicos e aos Voluntários. Um sorriso nos lábios a cada dúvida, a cada pergunta, a cada anseio.
Pelas salas, encontram-se cenários diversos. Pessoas sozinhas, filhos com pais, e o pior de todos, pais com filhos.
Acho que quem por lá trabalha, que decerto já o fará, porque tem alguma vocação para o fazer, desenvolve um qualquer tipo de altruísmo, que se torna de tal forma intrínseco, que toda a ajuda parece sair com naturalidade.
Deixo um louvor. Porque me parece, mesmo desconhecendo o sentimento por dentro, que há parte das famílias e dos amigos, uma boa equipa, que acompanhe, que ampare, poderão ser as responsáveis pelo ar de calma, que estas pessoas conseguem manter. E se for uma calma apenas aparente, reitero o que digo. Porque aí, esta ajuda será ainda mais preciosa.
E porque me ajudaram. A mim e a alguém muito querido.
Já sabem, que em todo o lado admiro um sorriso. E há lugares onde ele quase que faz milagres :)

2 comentários:

  1. Um grande ámen para todas as voluntárias que, no IPO, distribuem chá, café e bolachinhas :):)

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  2. Também eu através do teu blog deixo o meu louvor a quem trabalha no IPO de Lisboa (a minha avó também por lá passou) e também ao Serviço de Oncologia do Hosp. Pediátrico de Coimbra, que também são uns amores.

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