sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Boa noite

Logo, já daqui a pouco, reúne-se tudo outra vez. Depois do que comi hoje, vou tentar amanha, enfiar-me dentro da toilette escolhida, tarefa decerto penosa. Reina o silencio por cá. Já tudo regressou, e resto eu, e a minha lareira. A minha lareira e eu temos uma relação estranha. Talvez por acontecer somente de forma ocasional, quando acontece, a intensidade é grande, e eu não a largo nem por nada. Gosto do cheiro, gosto do calor, gosto do som. Gosto de tudo, pronto. Tenho uma manta, várias almofadas, e alguns presentes que me deixaram no sapatinho. A família esteve por cá, e aconchegou-me de perto. Quem não pode estar perto, aconchegou-me de longe, mas aconchegou-me. Sinto-me feliz, pelos aconchegos. Sempre, não só agora. Não iria suportar à minha volta, pessoas daquelas que só aconchegam quando a data manda aconchegar. Esses aconchegos, dispenso de todo. A eles e a quem os faz, só pela tradição. Agora estes, que me chegam amiúde, valem milhões. Falta, muita falta, faz-me o aconchego do meu filho. Que de momento, aconchega alguém, que talvez necessite mais do que eu. Que o aconchegue bem. Amanha já o terei. A ele, e à minha pequena mana, que vem directamente do Hospital para o almoço de família. A vida e as suas vicissitudes ensinaram-me a ter calma, e a viver tudo com o prazer do momento. Ás vezes, é precisa esta sabedoria. Vezes há, que não a tenho. Coisas.

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